crónicas da xávega (639)


não não é traduzir
é descrever
uma subrealidade

transformar imagens
sensações
em discurso verbal

dar nome ao inominável
não ao divino
mas ao inferno visionado

a guerra entre as mãos
que escrevem
e as que torturam matam

fugir para outros
cenários metaforizar
dizer sem dizer

está no subtexto dizes
doem-te as palavras
vês o que não explicitas

morto mutilado torturado
que metáforas
há outra forma de escrever

não saber como
mas saber que não dizer
é não ser

(xávega; o arribar da rede; torreira; 2006)