mãos de fazer
conheço muitas
calejadas quase todas
vazias tantas
de nada poder agarrar
silenciosa a rede
corre por entre os dedos
reproduzindo um ritual de séculos
mãos de fazer
quase nunca
mãos de comer
(torreira; ria de aveiro; salvador belo)
os arinques são bóias amarradas aos calões e que servem para sinalizar o andamento do alar da rede. se paralelos ambos à linha da costa a rede vem direita e está a ser bem alada, se desalinhados é rede está a ser mal alada e o arrais coordena o andamento dos aladores, com sinais de boné, assobios ou por rádio, de forma a repor o paralelismo.
os arinques são soltos dos calões quando estes estão ao alcance dos camaradas de terra, por vezes, como neste caso, nem que seja preciso entrar um pouco por mar adentro.
torreira; companha do marco; 2010
(tenho tanto para te dizer
e tão pouco o tempo)
ninguém regressa a lado algum
chega-se sempre
não há regresso ao que era
porque já foi
a isso o tempo nos condenou
o tempo os homens a natureza
nós
chega
chegarás sempre
admira-te ou desilude-te
o teres chegado
é sempre espanto
( o barco aproxima-se da areia
os homens crescem para a terra
chegam)
(praia de mira; companha do zé monteiro; 2009)
os registos mais difíceis de conseguir na ria de aveiro: corrida de bateiras de bicas, a remos, s.paio da torreira
as bateiras partem em paralelo do lado de nascente/serra/murtosa, para poente/mar/torreira. a duração da travessia não excede os 5 minutos, não é permitido ficar à frente, nem entre as bateiras. só há duas soluções: ficar em terra e fotografar o momento da chegada; acompanhar a corrida ao lado da última bateira ( mais ao norte, ou aos sul) e tentar a sorte.
a minha opção é sempre estar na ria, fazer parte da corrida mesmo se ao lado. o barco onde vou, balança, imagine-se a dificuldade de conseguir qq registo…. de muitos disparos poucos se aproveitam. fica a acção e a sensação.
o espectáculo não é só a fotografia é o vivê-la
(ria de aveiro; torreira; s. paio; 2012)