não é este ainda o tempo
o momento certo de te saberes
não o sabes nem o saberás
outros depois de ti
quando se souberem serão
a luz nascerá então da ria
(torreira; marina dos pescadores)
do outro lado da rua
tem havido sempre um outro lado da rua
o sol ilumina as casas
aquece-as
as mãos buscam-no
quase o agarram
de tão próximas
do outro lado de muito mais ruas
sombrios os becos
onde se morde a fome
nas sobras de ontem
de outrem
frio medo revolta
medo revolta frio
revolta frio medo
por dentro
há sol do outro lado da rua
roubaram-no
apesar dos interessantes registos que podem ser conseguidos durante uma recriação, fundamentalmente para quem nunca assistiu à prática mais antiga da utilização das juntas de bois ( na torreira, creio que até ao anos 2000) ou nunca fez registos digitais desta dura, mas belíssima arte, a organização deve ter em conta o processo global e não só os instantes.
os momentos finais desta recriação não traduziram a realidade que a memória preserva: os momentos em que as juntas esperavam o regresso do barco, para o voltarem a puxar, foram utilizados para diversão no mar – passeando crianças no dorso dos bois, por exemplo.
felizmente só assisti a esta distorção da realidade, que até pode ser muito divertida, nesta recriação. quer em espinho, quer na torreira, houve o cuidado de recriar a tradição sem a distorcer.
esperemos que em 2014, haja recriação, como é hábito, em espinho e se continue, o iniciado em 2013, na torreira