do outro lado da rua


 

coimbra, r. visconde da luz

coimbra, r. visconde da luz

 

do outro lado da rua

tem havido sempre um outro lado da rua

o sol ilumina as casas

aquece-as

as mãos buscam-no

quase o agarram

de tão próximas

 

do outro lado de muito mais ruas

sombrios os becos

onde se morde a fome

nas sobras de ontem

de outrem

frio medo revolta

medo revolta frio

revolta frio medo

por dentro

 

há sol do outro lado da rua

roubaram-no

 

 

recriação da xávega na vagueira em 2008


 

quando os motores eram de carne

quando os motores eram de carne

apesar dos interessantes registos que podem ser conseguidos durante uma recriação, fundamentalmente para quem nunca assistiu à prática mais antiga da utilização das juntas de bois ( na torreira, creio que até ao anos 2000) ou nunca fez registos digitais desta dura, mas belíssima arte, a organização deve ter em conta o processo global e não só os instantes.

os momentos finais desta recriação não traduziram a realidade que a memória preserva: os momentos em que as juntas esperavam o regresso do barco, para o voltarem a puxar, foram utilizados para diversão no mar – passeando crianças no dorso dos bois, por exemplo.

felizmente só assisti a esta distorção da realidade, que até pode ser muito divertida, nesta recriação. quer em espinho, quer na torreira, houve o cuidado de recriar a tradição sem a distorcer.

esperemos que em 2014, haja recriação, como é hábito, em espinho e se continue, o iniciado em 2013, na torreira