a cala (conjunto de rolos de corda que constitui uma das extremidades do aparelho) chamada “mão de barca” e que o barco trará quando arribar, é colocada junto à proa, sob a as mangas.
torreira; companha do marco; 2010
conforme divulguei, neste blog, decorreu hoje, dia 22 de setembro, uma recriação de ” Arte Xávega com bois”, na praia da torreira.
sobre o evento falarei a seu tempo quando tiver seleccionado e editado as fotografias de que mais goste. dêmos tempo ao tempo.
no entanto, ainda hoje ao fim da tarde, já se levantava o boato de que os participantes na recriação teriam recebido 50 euros cada um.
pessoalmente acho que se é verdade não é drama nenhum – não há almoços grátis, escreveu alguém – acho até muito bem.
mas se é verdade, o que eu gostava de saber é quem pagou.
na altura em que foi levada a cabo, durante a campanha eleitoral autárquica, é evidente que mesmo sendo promovido pelo actual executivo, deve ser pago pelos dinheiros de que dispõe para a campanha o partido que exerce o poder na câmara da murtosa – o psd.
noutra altura, como em todo o lado, durante a época balnear, deveria ser a autarquia.
espero que, caso tenha havido pagamento aos participantes, tenha havido a sensatez de pagar com os fundos destinados à campanha do partido e não com os fundos da autarquia.
espero …..
mas seria bom que todos soubéssemos se houve pagamento e quem pagou
espero que para o ano haja mais e lá nos encontremos
tempos cinzentos estes
em que se espera que o pão
o de cada dia
chegue à mesa depois de um dia
de trabalho duro
ou sem trabalho
ou de mar ingrato
isto te ensinei meu filho
o caminho de areia
o caminho por onde o teu sorriso
o teu esforço para além do teu corpo
que do meu
tempos cinzentos estes
em que cada vez menos somos
quando mais nos disseram
que seríamos
saberão que somos
mais que números?
tempos cinzentos estes
por mais que nos prometam pomares
e sumo basto de laranja
ao pequeno almoço
(companha do marco; torreira; 2010)
“PRAIA DA TORREIRA VAI RECRIAR A XÁVEGA COM BOIS MARINHÕES
No próximo dia 22 de Setembro, por volta das 10.00h a Praia da Torreira vai acolher uma recriação da xávega com bois marinhões…”
assim se pode ler na página do município da murtosa, em notícia publicada no passado dia 11 de setembro, confirmando o informado na folha jornalística do concelho, do passado dia 31 de agosto.
muitos têm sido os pescadores e amantes da arte que me têm perguntado como é que se pode marcar um evento deste género, com tanta antecedência, ainda por cima nesta altura do ano. nem eu, nem nenhum dos questionadores teve resposta. apenas uma: não sabemos.
desde há alguns meses que se falava nesta intenção e sempre se pensou que fosse feita durante a época balnear, como em espinho, por exemplo, e no mês em que o mar é mais favorável – junho.
este ano até tivemos um agosto de mar excepcional. mas nada aconteceu.
por isso, a maioria pensou que não passava de boato e esqueceu o assunto, até que a notícia adquiriu a forma de cartaz, informação local e no espaço virtual do município.
fico feliz pela recriação que vai ser realizada, mas estou a fazer muita força para que o mar tenha sido ouvido e seja possível ao barco – todos pensamos que seja o olá s. paio – fazer-se ao mar, a recriação decorra em boas condições e que os assistentes locais, e os que cá venham de propósito, não dêem o tempo por perdido. já agora, não se sabe ainda o local exacto para a recriação, mas é na praia.
estará o mar “bom”? eu, e muitos arrais da costa, consultamos o site
http://www.windguru.cz/pt/index.php?sc=48947
e lemos duas informações: “período da vaga” e “ondulação”. como referência, a maioria dos arrais não se faz ao mar com períodos de vaga superiores a 7, vendo em seguida a “ondulação”. a informação é bastante fiável, mas não substitui o ir ao mar pelo romper do dia e confirmar. é assim.
espero, repito, que tudo corra de acordo com o desejado pela entidade promotora.
eu lá estarei, de máquina ao peito, a correr pela praia.
fica aqui o convite aos interessados.
na regata deste ano participaram cerca de 15 barcos, entre grandes e pequenos.
os primeiros classificados.
1 º – Moliceiro S. Salvador – timoneiro, Marco Silva
2 º – Zé Rito – timoneiro, Mestre Zé Rito
3 º – A. Rendeiro – timoneiro, Ti Zé Rebeço
registe-se a presença do barco “Amador”, um barco recuperado e propriedade do construtor Mestre Felisberto
ganhar uma regata de moliceiros depende não só da mestria na condução do barco durante a regata, mas também da escolha da vela com que se corre. os moliceiros têm velas de dois tamanhos, escolher a maior é um risco se se levanta vento forte durante a regata, por isso muitas vezes é utilizada a pequena, por segurança. a utilização da vela maior é um risco assumido em caso de vento forte, mas um passo grande para a vitória caso o vento amaine; penso que a aposta do Arrais Marco Silva na escolha da vela maior, assumindo todos os riscos inerentes foi compensada pela vitória na regata.
como diz o povo ” quem não arrisca, não petisca”
grande prova fizeram também os 2º e 3º classificados, mas as fotos mostram alguns dos momentos mais disputados.
também nesta regata um barco se virou, o manuel silva, e nesses breves momentos a máquina estava virada para o sítio certo.
de tudo fica aqui um pouco
o vencedor
o estreante
algumas personagens
momentos da regata
alfredo miranda no seu melhor
o moliceiro virou
a bordo: manel valas, joão rodrigues e russo
abraçar o mar
com a força dos olhos
sentir o mar
nos braços
no peso das cordas
nos pés que se enterram na areia
ao peso de tudo
saber o mar
lê-lo com todos os sentidos
e saber que nada se sabe a não ser
que é o mar
o mesmo mar
com quem teimar
é destino diário
e não cântico efémero
sem saber notas
nem ler pautas
só para encantar
conhecer o mar?
pretensão de quem pensa
em tudo poder mandar
o do desafio que aceita?
o do sonho porque luta?
o do amor que o alimenta?
não há mar a mais
nem se precisam de homens do leme
há saberes e rotas
desejos e metas
há o Homem
que só o é porque há outros homens
saibam-no ou não
basta que ele o saiba
e seja mais que ele
seja todos
mesmo aqueles que não se sabem
para o saber a ele
o tamanho do homem?
boa pergunta
há muitas formas de estar com uma máquina nas “unhas” e fotografar a regata de chinchorros, ou bateiras de bicas, a remos.
– pode-se ficar em terra e fazer registos magníficos da preparação e da chegada
– ou ir para o meio da regata, viver a emoção e sentir a adrenalina, como disse o nelson silva, e, eventualmente fazer alguns registos.
são duas formas de estar: fazer parte da festa ou assistir à festa. não tenho dúvidas, com a nortada que fazia e as condições em que decorre a regata, que os melhores registo, provavelmente com mais impacto, são os feitos na “beirada” capturando o esforço final das equipas – veja-se alguns registos do antónio tedim.
dentro de uma bateira é preciso ter em conta a forma como decorre a regata:
– 8 bateiras partem da margem oeste da ria, lado do mar no dizer dos pescadores, rebocadas habitaulamente
– do outro lado da ria, a nascente, ou do lado da serra, estão 8 estacas espetadas no fundo da ria, junto a cada uma das quais se deve posicionar cada concorrente
– a distância entre bateiras é significativa e torna-se muito difícil conseguir uma vista do conjunto
– fotografar detrás das bateiras, para capturar os rostos, é uma solução que, atendendo à hora a que se realizou a regata, 17 horas, produz muitos contra-luz
– resta-nos fotografar de frente, os mais atrasados, ou de lado. focando sempre a atenção numa bateira.
registe-se ainda que a regata demora cerca de 15 minutos e só vendo é que se sente a velocidade que estes homens são capazes de imprimir a uma bateira. 12 braços, quantos motores?
“onde está a linha do horizonte?”, perguntava o nelson silva. a baixo e acima! era disparar e ver depois. a correr com a “marola” que se fazia sentir, apontar em frente era apanhar molha nas máquinas e isso ninguém queria.
o rui cruz, que conseguiu ir dentro de uma bateira, penso que não fez nenhuma foto, ou muito poucas.
ficam assim os registos possíveis de momentos inesquecíveis.
ganharam os melhores, outros terão deles as fotos, nós “curtimos nas horas” e molhámo-nos pra caraças. foi um dia grande, apreciem e procurem sentir o que está por dentro das imagens.l..
nota: em todas as imagens, durante a edição, foi endireitada a linha do horizonte e feito o recorte possível
a travessia para o local de partida, a reboque
momentos da regata, em que há sempre mulheres a mostrarem que também são capazes de pegar num remo