meditação sobre o coelho


ahcravo_DSC_1146_pescador buarcos bw

 

ser quase nada

para quase tudo

e

quase tudo

para quase nada

 

o meu nome

são vários

e um só

 

pensionista

reformado

funcionário público

 

para mim tudo

é

transitório

em trânsito para definitivo

 

queria dizer-te

outras coisas deste país

mas os coelhos comeram as flores

 

um dia virá

e será breve

em que almoçaremos coelho

para ter o prazer de o vomitar

o aparelhar do saco


joão "rodinhas" e ti alfredo neto

joão “rodinhas” e ti alfredo neto

a seguir à manga da mão de barca, como já se disse, é aparelhado o saco.

por vezes, quando a rede é colocada sobre a zorra, depois de seca, o saco não fica na posição correcta e é necessário, ao aparelhar inverter a posição – em vez de estar virado à ré, ficou virado à proa.

 

(torreira; companha do marco; 2010)

o aparelhar da mão de barca


SONY DSC

 

em cima da zorra, seca e quase sem areia, a rede, que será disposta do lado da ré do barco

por cima a manga da mão de barca, vê-se em torno da zorra o saco, e por baixo a manga do reçoeiro.

enquanto um dos membros da companha vai levantando as redes, os restantes “abrem” e desemaranham as malhas.

trabalho pesado e com muita arte, como tudo o que se quer bem feito

(torreira; companha do marco; 2010)

pescadores da torreira manifestam-se contra interdição de apanha dos bivalves


a apanha de bivalves na ria de aveiro é, nos últimos tempos, o ganha pão dos pescadores.

a enguia quase não existe, o choco este ano rareou, o linguado pouco é.

restam os bivalves….

análises pagas pelos pescadores num laboratório espanhol de referência, contraditam a interdição imposta pelas análises feitas pela entidade nacional de referência, o IPMA,  e dizem que não há qualquer perigo no consumo dos bivalves. os bivalves apanhados na ria de aveiro destinam-se quase em exclusivo ao mercado espanhol.

no meio deste desencontro de resultados quem não sobrevive são os pescadores.

o vídeo da “Ribeirinhas TV”, com entrevistas a pescadores é elucidativo

aparelhar


dentro do barco as mangas

dentro do barco a manga da mão de barca, no fundo

no aparelhar, a disposição do aparelho no barco é fundamental para que o “largar”, durante o lanço, decorra sem problemas.

a sequência de largar é: cala do reçoeiro; manga do reçoeiro; saco; manda da mão de barca; cala da mão de barca.

neste registo é a “manga da mão de barca” que entra no barco, seguir-se-á o “saco” que será amarrado à bica da ré e irá assentar na “cala da mão de barca”, que já está por debaixo do traste e à meia proa do barco, depois a “manga do reçoeiro” e, finalmente, a “cala do reçoeiro” sobre todo o conjunto.

aqui, um espreitar para o por dentro.

 

(companha do marco; torreira; 2010)