tecidos os rostos
em cores muitas
conforme e disformes
com a realidade
esperança
de quantas formas
o homem te vestirá?
pablo mestre
pinta-te melhor que ninguém
tecidos os rostos
em cores muitas
conforme e disformes
com a realidade
esperança
de quantas formas
o homem te vestirá?
pablo mestre
pinta-te melhor que ninguém
(isto não é um poema)
as palavras
são agora
ferramentas de matemática
apreenderam as quatro operações
aplica-as ao teu vencimento bruto mensal
os multiplicadores
encontra-los na proposta de orçamento
e na folha onde se espelha
a transformação em euros
do teu esforço
com eles faz um simples
exercício de cálculo:
determina o quanto vais receber
mensalmente em 2013
isto não é um poema
agradável
o teu achado
também não
é por isso
esta raiva
este ter de te dizer
o lado escuro da luz
é ávido
enorme!
como se o silêncio
poisado
ave feito
nos braços da ria
e os homens sorrissem
só por se saberem
assim aqui
a liquidez do tempo
geme nos dedos
de onde música
escuta o vento
soprar nas árvores
mais altas
curvam-se os arbustos
tu não
deixar por momentos
o vento pelo cabelo
ser água fresca
onde o sonho
floresce
no embalo
andaremos
se quisermos
que é de guerra
este tempo
soem os tambores
depois das guitarras
lembro-me de ser assim…
“cumpria-se a terra
depois de agosto
nas eiras plenas de oiro
as desfolhadas
gentes de casa
em casa
o ritual da partilha
dos braços
em coro e ao desafio
a festa
em cantares de antes do milho
mãos
ágeis e sábias desfolhavam maçarocas
vermelha a maçaroca sorria
milho rei
o beijo pedido
celebrava ele também
o reiniciar da vida”
algures
entre quatro
ou mais
paredes forradas
um grupo
de eleitos
discute a forma
que vai revestir
o assalto
que país
vais sobrar?
só sei de uma palavra:
resistir
inventemos o como
não inventes o poema ele está aí anda pelas ruas desesperado sem abrigo com fome em busca de emprego a idade do aquário e tu peixe borbulhando palavras gastas cansadas de tão não é deste tempo querem-se palavras deste estar aqui agora quando o lado negro da luz é mais visível tresanda
correm regatos
por entre seixos
dedos
saltitantes peixes
brilham
sol lá si fá
pianamente
perdi algures
as palavras
no teclado de um piano
escuto-as em silêncio
a música
é infinita