repetem-se os gestos
não o homem
que esgotado o tempo
foi de estar aqui
quantos antes dele
depois não sei
as mãos sábias
os dedos ágeis
escolhem separam
não tocamo peixe
ainda mexe
o homem
sei dele aqui
apenas(ti antónio neto- falecido)
sobre este tema foi elaborado o seguinte projecto:
– uma descrição da arte: aparelho e modo de proceder
– um fotofilme genérico
– 6 documentários de pormenor
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descritivo:
a arte da cabrita baixa é utilizada para a apanha de bivalves (neste caso amêijoa japónica) de modo apeado. nela participam homens, mulheres e adolescentes.
a apanha faz-se na vazante, logo que haja calado para trabalhar, até que o mesmo se perca, já na enchente.
o aparelho é constituído por:
– haste: em eucalipto de cerca de 2 metros
– cabrita: semi-circunferência em ferro, em média com 30 dentes de 6 cm
– redenho: com malha de 35mm e comprimento variável, de 1m a 1,5m
– bóia: presa no topo do redenho
– tirante: normalmente em rede de nylon grossa, ata à cintura e prende na base da haste, é nele que grande parte do esforço assenta.
– peso: cilindro de aço ou ferro, de 5kg a 10 kg, fixado na base da haste, junto à cabrita
(peso total do aparelho: 10 a 15 kg)
acessório
vara de apalpar: com altura variável (normalmente um pouco mais de 2 metros), serve para o pescador ir vendo altura da água e comparar com a sua, ficando assim a saber, no caso de decidir iniciar a faina “por onde lhe irá dar a água”.
o cabritar:
a cabrita é atirada à ria e com o peso que tem enterra-se no fundo, depois é arrastada com movimentos de cintura enquanto os braços a mantêm o mais fundo possível.
podemos distinguir os seguintes momentos na faina:
– arrastar
– ver e lavar o redenho na ria
– levar a cabrita até à bateira, se tiver apanhado o suficiente
– deitar a cabrita na bateira, com o redenho na água
– fazer a última lavagem de limpeza na ria
– descarregar o redenho na bateira
é uma arte muito dura e que provoca problemas nos músculos dos braços – no cotovelo formam-se bolas de músculo,
muito dolorosas.
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fotofilme: cabrita baixa, torreira 2012
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documentário 1: vara de apalpar, cabritar
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documentário 2: cabritar e cirandar a bordo
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documentário 3: lavar e descarregar o redenho no barco
O primeiro, da autoria da Dra. Lurdes Véstia, aborda o tema das casas palafíticas no mundo. Trata-se de um modo de construção disseminado em algumas regiões do globo e apresenta a perspectiva global sintetizada deste modo tão peculiar de construção, em tudo semelhante à dos pescadores Avieiros.
O segundo, da autoria do Prof. Doutor Alfredo Marques, trata da cultura dos pescadores do litoral central português, também designado como região da Gândara. Este texto retoma a publicação de um significativo conjunto de artigos que o autor publicou no Jornal da Figueira, e com ele se pretende publicar o conjunto de todos os que escreveu sobre a temática cultural daqueles pescadores, nos quais se incluem os da Praia de Vieira de Leiria.
Aos autores endereçamos os nossos sinceros agradecimentos.
Gabinete de Coordenação,
(Candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)