
com o negro da saudade
enganando o tempo

A ESDRM – Escola Superior de Desporto de Rio Maior -, do Instituto Politécnico de Santarém, fez o primeiro ensaio do que designou provisoriamente por Rota dos Caminhos Marianos, de Santiago e da Cultura Avieira.
A este ensaio chamou “o Passeio em BTT das Aldeias Avieiras”.
O percurso passará a ser um dos que se integram no projeto-âncora de Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional. Pretende reabilitar caminhos tradicionais ou antigos que mereçam ser preservados por constituírem uma interpretação do meio envolvente, em todas as suas vertentes – humanas, religiosas, sociais, naturais e outras.
Esta Folha Informativa transmite-nos as experiências que os “aventureiros” viveram, por caminhos propícios a experiências muito próximas da natureza da nossa região, e que os levaram em bicicletas de BTT, de Santarém até à aldeia Avieira da Palhota, em Valada/Cartaxo.
À dinamizadora da iniciativa e autora da presente Folha, Prof.ª Teresa Bento, apresentamos os nossos sinceros parabéns pela iniciativa pioneira e inesquecível, que fica como um marco para dar continuidade ao estabelecimento de uma Rota dos Caminhos Marianos, de Santiago e da Cultura Avieira.
O Gabinete de Coordenação
(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)
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Cultura Avieira – Um património, uma identidade

quantos anos a olhar o chão
ana?
da barraca para o mar
o alfredo criança ainda
a teus pés de mãe
são de areia os teus caminhos
de areia o chão da barraca
de areia a tua vida
esboroa-se por entre os dedos
o trabalho
sem outros frutos que não o parco peixe
quantos anos a olhar o chão
ana?
quantas como tu de cabeça
baixa?
habitas ao pé do sonho de muitos
mas só isso
que teu é o pesadelo dos dias
de seres da casa o homem
e de teres criado o teu filho
a força de braço
só os teus
será já tarde para ti
a mudança
mas nunca é tarde para quem te vê
sentir que tem de
(torreira; companha do marco; 2010)
para que me servem
os olhos
senão para te ver
quando aperta o norte
vagas são muralhas
a arte não vai ao mar
fico-me então na areia
de pé a olhar-te
no pulsar das ondas
coração teu
para que me servem
os olhos
senão para ver
de quantas cores
te fazes
sempre o mesmo
nunca igual
para que me servem
os olhos
senão para te falar
contar-te isto de ser aqui
pescador da xávega
histórias tantas
a partilhar
(torreira, século XX)