quando o mar trabalha na torreira_antonio murta
recordo-te
a alar cordas e redes
nas vozes de mando
que ao arrais cabem
nas conversas que tínhamos à beira mar
por entre o rebentar das ondas
e os gritos das gaivotas
recordo o mar
o teu mar
que vi crescer nos olhos
dos pescadores
quando te disseram adeus
regueiras
que lhes rasgavam o rosto
e caíam na terra seca
feitas pedras
recordo-te
há um mar que teima em crescer
dentro de mim
as ondas rebentam-me no peito
gritam-me aos ouvidos o teu nome
não há noite em que te não veja
recordo-te
no silêncio da tua ausência
continuo a ouvir a tua voz
(torreira)
a arte do equilíbrio
sorrio
quando o mar trabalha na torreira_david carinha
dias há
em que o vento leste
amansa as águas
enquanto a nortada descansa
então
os barcos deslizam cisnes
fazem-se ao mar
como crianças
ao colo materno
dias há
de bonançosas ondas
que afagam os cascos
os recebem com braços
de amante
dias há …
mas quantos ?
são tão escassos
(torreira, século XX)
a arte da queda
fecharam a janela da porta
carências
conforme combinado, a porta abriu-se e ela surgiu.
ele tremia, não estava habituado, nunca tinha.
depois de acertado tudo, ela iniciou as tarefas que constavam do contrato.
constrito ele pediu:
– já, não, preciso de festas, acaricia-me
durante algum tempo, frequentou-a, tornaram-se quase amigos e ela fez dele confidente.
depois… depois cansou-se e quando voltou a querer estar com ela, ligou-lhe, mas atendeu uma voz de homem. tinha partido e o número sido atribuído a outro consumidor.
a vida é um mundo e nem todo o mundo cabe na vida
figueira da foz na ponta do pincel_cunha rocha e cruz santos
Workshop Fotográfico Solidário ” Terapia Son Rise “
para quem gosta de fotografia
http://fotogenicos-net.blogspot.com/2012/02/workshop-fotografico-solidario-terapia.html









