assim se vêem os heróis do mar


o barco de mar óscar miguel – torreira anos 90

 

é este o momento

do início

(e quantos tempos nele cabem …)

o arrais lê o mar

estuda a matemática das ondas

calcula-lhes o ritmo

as correntes e os seus caminhos

tensos

homens e animais

aguardam a ordem

o grito claro forte

sem dúvidas de espuma nos lábios

VAI ! VAI ! VAI !

e o barco pula salta

galga mais uma onda

avança

e pára de novo

a cena repete-se

tantas vezes quantas o arrais

achar

é dele o mando

até que

num arranco último

o barco

vence a rebentação

e parte

por sobre o mar

é este o momento

do início

em que tudo pode acabar

a breve, muito breve, sesta


luciano caravela; 2010

é um costume entre os pescadores da xávega, que os que cheguem mais cedo para o primeiro lanço da tarde, cerca das 13h, 13,30h, aproveitem para uma pequena sesta à sombra do barco ou dos atrelados.

na torreira e na praia de mira, praias de grande tradição nesta arte de pesca, é comum encontrarem-se pescadores deitados enquanto o arrais não chega.

( torreira_ companha do murta)