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o mar a meus pés

chamaram-me antónio josé e….

 

aqui estou

59 anos depois

com os olhos dependurados sobre o mar

(eterno poiso de sonho e amor)

 

aqui estou

59 anos depois

tantas caminhos mais tarde

o coração dividido entre as três terras-mães que me aconchegam

(setúbal memória de lá ter nascido

murtosa memória dos que antes de mim fizeram que eu seja

figueira o aconchego da cidade-aldeia onde as memórias se juntam)

 

aqui estou

59 anos depois

eu

pai-avô

de filhos e netas também repartidos por terras

perto e longe

(espalhados na geografia mas juntos onde só um pai os pode ter sempre)

 

aqui estou

59 anos depois

com um sorriso nos lábios

aqui onde

os amigos me saúdam

e me fazem sentir menos só

 

aqui estou

59 anos depois

povoado de memórias e cheio de mim

que em mim tudo é

 

(por tudo isto estou de parabéns, hoje, aqui)

 

 

o piço


 

o piço

o “piço”, pescador ou filho de pescador sem alcunha não existe, safa as redes para a plataforma da marina.

este ano, um fotógrafo, apanhou o piço e uns amigos a apanhar camarão à moda antiga, com um pequeno chinchorro e registou momentos únicos.

até aqui tudo bem.

infelizmente, e já não é o primeiro, fez logo de seguida uma exposição e vá de vender aos pescadores as fotos que tirou, o piço estava numa delas claro.

que fotografem os pescadores e as artes de pesca é de louvar, que depois lhes venham vender as fotos é a roubar.

canons, nikons, ….. não vos chegam.

oh vós que tendes dinheiro para as máquinas, ainda explorais quem dia a dia conquista à ria e ao mar o pão parco que à mesa leva.

como não sou de conversas:

raios vos partam chulos!!!!!!!

(torreira-marina dos pescadores; 2009)