plantei uma flor
no mar
sentada a meu lado
os teus olhos
procuravam a flor
e sorriram ao vê-la fulgir
por entre as ondas
deste-me então um beijo
depois acordei
e só me lembro
deste sonho
sentada a teu lado
dera-te o beijo
aromatizado
com a flor orvalhada
pelas ondas que a embalaram
nos teus sonhos
depois acordaste
e envolvi-te
no perfume que deixei
ao teu lado da flor
que meu sorriso percorreu
por entre as ondas
para só te lembrares
deste sonho
Questa poetessa che più di settant’anni fa era nata in Bosnia-Erzegovina, a un certo punto della sua esistenza ha scelto di ancorarsi al verso per demarcare il confine che separa la vita dalla morte. Vita e morte che un altro uomo di lettere, Carlo Michelstaedter, decantava nei versi de Il canto delle crisalidi:
Vita, morte, la vita nella morte; morte, vita, la morte nella vita.
il poeta e filosofo goriziano voleva rivelare con il suo pensiero le stigmate che contraddistinguevano il Novecento, secolo delle grandi infatuazioni ideologiche. Per Jozefina, il conflitto armato che ha coinvolto l’ex repubblica socialista jugoslava, ha significato un vivere in continuo stato di non appartenenza, dopo la dissoluzione del socialismo nel 1991, costringendola alla fuga. La sua è una lirica in cui i piccoli e i grandi eventi del quotidiano si manifestano per ricordarle di sottostare ad altre logiche e regole più…
Nos versos de QUATRO POEMAS SOLIDÁRIOS de O centro na distância de António Ramos Rosa, a solidez da pedra distingue-se pela sua compacidade, que se recusa a ser penetrada. Seu mundo fechado é um convite para deixar nossa imaginação correr solta. Nós, de fato, somos o mineral que devemos trabalhar pacientemente para transformar a indiferença, a ignorância e a felicidade, na verdadeira pedra. El Che foi uma dessas pedras, fortalecida pela luta, cuja presença faz parte do nosso imaginário. Ele ainda é uma presença forte, porque a pedra está sempre aberta a uma nova vida e sua transformação. De facto, o herói argentino assumiu um novo significado para se transformar no símbolo da continuidade da nova história. De modo que se o poeta apresentar a matéria tosca da pedra para transformá-la em forma sutil através de um trabalho de humanização do dado, esta…
Ninguém melhor do que Manuel Freitas conseguiu falar da tragédia metafísica sem fuga e da tortura de estar vivo numa sociedade onde o conformismo se confunde com a barbárie e o erro. Mesmo Portugal, lugar do fingimento pessoano, não escapa a sua escrita de “país devastado, / o símbolo envergonhadamente europeu … da austeridade, / do analfabetismo e da luz chegando a remotas, / quase míticas aldeias” (Cervejaria Leirão). Um emaranhado de fracassos e perdas atravessado pelos mortos e, mais ainda, pela morte. De certo modo, o poeta traça uma visão da ruina de nossa civilização ocidental na perspectiva histórica da poesia. Ei-nos num lugar paradoxal, onde a poesia diz o que as pessoas não percebem.
Spot “A vida não pode ser assim tão assustadora”, diz a margarina becel em horário nobre, para não-cardíacos. O que, na verdade, me deixa saudades…
Un calarsi nella trama dell’umano, del suo radicamento temporale, del suo patire fra la consistenza e la dissoluzione. La durata e la caducità, sono le polarità che si leggono nel volume postumo La figlia che non piange, di Francesco Scarabicchi. La verità, le funzioni veritative sono tutte lì, nel respiro del tempo e il mistero delle cose fatte di tempo. Il suo è un dire sì alla vita, nelle cose che passano, mutevoli e mutabili soltanto nel segreto della sua verità. Sensibile e sommesso, lontano da ogni trionfalismo, la scrittura di Scarabicchi appare munita di una naturalità che lo porta a guardare il mondo senza essere visto.
Una residenzaa Massimo Recalcati Non c'è altro luogo, credimi, che questo, tutto il bianco possibile, la pagina e poi quelle formiche delle righe a dire il poco, il molto che noi siamo, ma non tanto di me e…
Uma característica essencial da vida emocional desta autora é o seu estado afetivo que é apresentado como a experiência de seu caráter individual. A poesia da Sampaio passa pelas raízes do mal, movendo-se entre certezas alucinadas, invocações afetuosas e relâmpagos de delírio. No entanto, para aqueles curtos circuitos da mente que atropelam o amor e o próprio ser, a escrita pode reverter plenamente a angústia dos dias, opondo-se à heterogeneidade evasiva dos elementos, a possibilidade de abraçar o Tudo, deixando de lado o caos, deixando, por alguns breves momentos, as instâncias da melancolia.
Tu sentado na praça. Entre nós uma enorme quantidade de frio., uma reunião de pombos e dis taxistas de dentadura lunar. Comove-me esta intensa fila para se chegar à ginja como se assim se chegasse à verdade das coisas, aos braços tão curtos da solidão ibérica. Comove-me a velha que sobe as saias…
Neste espaço vai-se falar brevemente sobre um poeta que poderia aparecer entre aqueles já consolidados da literatura portuguesa e estrangeira. A poesia de Daniel Faria pode-se considerar uma aventura afortunada, embora breve, e literariamente prolífica, como evidenciado por uma revisão bibliográfica recentemente concluída, que visa reconstruir toda a produção deste autor. Um jovem seminarista culto, de índole mística. Um poeta intemporal. A sua é uma palavra que se encarna na existência individual e coletiva, porque é existência que se torna poesia. Ressonância humana particular e inconfundível adquirem suas líricas que enfrentam os temas da imanência e da transcendência, assim como o do conhecimento interior; tópicos em que Daniel Faria se tem entretido tornando-os o núcleo de seu pensamento. O processo meditativo é acompanhado, ou melhor, é em si mesmo também escrita lírica ligada à exegese do verso e no verso, bem como nos recessos mais aparentemente…
A escuridão é a nossa primeira realidade, o enigma iminente do nosso nascimento. Nosso ser microcósmico, despertando no útero, está envolto na matéria negra de nossa herança ancestral. Luz e trevas constituem o mais importante sistema dualista de forças polares que, na maioria das doutrinas iniciadoras, é a encarnação da divindade.
Em seu valor potencial, a divindade é pensamento e na dimensão do microcosmo é o inconsciente. Mas é também o som sublime, uma palavra tão húmida quanto a água e a luz que desce sobre a terra trazida pelos raios do sol. Uma palavra que se torna o movimento ou vida da divindade para todas as línguas, cores e virtudes que residem na Palavra. Para María José Quintela é também verdade, luz do ser e criação contínua do universo. O mais puro símbolo da manifestação do ser que pensa e se expressa para voltar à…