a ria no rosto
escrevo o teu rosto
sem palavras
vejo-te para que te
saibam e oiçam
não há silêncio na ria
não sei como dizer-te
sinto-te
e semeio-te como és
a beleza da ria
é o retrato do teu rosto
(torreira; cabrita alta)
o esgar vincado
na beleza deste rosto
fala de uma outra ria
da do sangue
que corre sobre as águas
e mergulha fundo
em busca do pão
o pão enterrado na lama
o pão que poucos amassam
que é dura
muita dura a faina
sempre que vires o nascer do sol
uma névoa a cobrir tudo
e tudo te surja carregado de beleza
postálica vendável em quiosques
popularizada em páginas de fotografia
lembra-te
lembra-te deste rosto
que não viste
porque ficaste na margem
(ria de aveiro; canal de ovar; torreira)