o espanto


espectacão

ao espectáculo da azáfama da xávega: homens, mulheres, máquinas, redes, cordas, barco, tractores, movimento, sons e vozes, nada nem ninguém fica indiferente.

até um cão, pára para olhar.

será que é preciso mais para que aqueles que deveriam ajudar na preservação desta arte centenária, atentem na necessidade de a apoiar para além do que até agora têm feito? (nada….)

até um cão, senhores, até um cão não fica indiferente à xávega.

(torreira, 2006)

 

xávega – o recolher do peixe


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o retirar o peixe do saco com recurso a “xalavares” é o primeiro passo dos últimos de um lanço.

a ele segue-se a escolha, a lavagem e o enchimento das caixas, que serão negociadas com o intermediário e/ou levadas à lota.

enganam-se aquele que pensam que o pescador ganha bem porque o peixe é caro. entre a venda ao intermediário e a venda ao público o preço pode ser multiplicado por mais de 10 vezes.

enquanto os pescadores não se organizarem e forem eles próprios a fazer a venda directa na lota, com exclusão de intermediários, ganham muito os que fazem pouco e ganham pouco os que trabalham muito.

mas isto não passa de um sonho, no que se refere à pesca artesanal. nunca houve organização e não é agora, quando são tão poucos, que vai haver. a subsistência da xávega, não é um milagre, mas é um mistério alimentado com muito suor e reformados.

(torreira; companha do murta; 2006)

 

 

um bom lanço


carapau da costa

a introdução da xávega em portugal esteve relacionada com a pesca da sardinha, enquanto prato de peixe dominante na dieta do país.

com o surgimento das traineiras na pesca da sardinha a produtividade da xávega decresceu significativamente e a única espécie rentável é o carapau.

como escreveu camões “tudo é feito de mudança”, aqui também

(torreira; companha do murta; 2006)

xávega: o abrir do saco


a navalha, ferramenta de eleição de qulaquer pescador

sempre que o aparelho vai para o mar o saco é fechado (cozido) com linha de nylon muito forte, para suportar eventuais boas pescarias (bons lanços).

quando chega a terra, depois de estar em lugar seguro, fora do alcance das vagas de mar, procede-se à sua abertura, com a ajuda de uma navalha que vai cortando o fio.

a operação é, normalmente, levada a cabo pelo arrais.

(torreira; companha do murta; 2006)