é delas o verão


 

apanha de ameijoa à cabrita baixa

 

como se formigas
mergulham os corpos
na ria
as ancas em movimentos
rítmicos arrastam as cabritas
carregam ameijoa

os joelhos
a coluna
os braços
os ombros
envelhecem
endurecem
os joelhos esmagadas cartilagens

as formigas
são gente
as cigarras
assistem em terra ao espectáculo
esfregando as mãos
na multiplicação
dos lucros

com o suor dos outros
ergueram o império
é delas o verão

(ria de aveiro, torreira)

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