cebola


 

cebola, o redeiro da companha

cebola, o redeiro da companha

 

pega-se a alcunha à pele

perde-se o nome por entre

documentos que atestam

o ser ele ainda um outro

que é também aquele

porque é conhecido

na praia

 

ir até onde tudo começou

descobrir o porquê

a história por detrás

do ser esse o nome porque

és conhecido

porque te chamei desde sempre

é matéria para outra safra

 

digo cebola

e há um sorriso poisado numa bicicleta

que me responde

isso sei

 

(torrira; companha do marco; 2010)

 

hoje vi o tempo


 

 

hoje vi o tempo

sentado à mesa do café

anos sobre anos somados

e eu ali

quem sabe um dia

um outro tempo

por outros visto

 

parei de ler

impossível continuar

levantei-me

comigo o livro

as palavras sobre o papel

o prazer

 

caminhei pela beira ria

onde o tempo

de outro modo se lia

registei-o

 

quem sabe

num tempo outro

alguém