corrida de bateiras a remos


máquinas de músculos

máquinas de músculos

 

os registos mais difíceis de conseguir na ria de aveiro: corrida de bateiras de bicas, a remos, s.paio da torreira

as bateiras partem em paralelo do lado de nascente/serra/murtosa, para poente/mar/torreira. a duração da travessia não excede os 5 minutos, não é permitido ficar à frente, nem entre as bateiras. só há duas soluções: ficar em terra e fotografar o momento da chegada; acompanhar a corrida ao lado da última bateira ( mais ao norte, ou aos sul) e tentar a sorte.

a minha opção é sempre estar na ria, fazer parte da corrida mesmo se ao lado. o barco onde vou, balança, imagine-se a dificuldade de conseguir qq registo…. de muitos disparos poucos se aproveitam. fica a acção e a sensação.

o espectáculo não é só a fotografia é o vivê-la

(ria de aveiro; torreira; s. paio; 2012)

meditação à beira ria (7)


sobreviver na ria

sobreviver na ria

saber que

tão breve

tão coisa pouca

tão aqui

sem

 

fazedor de coisas várias

não me fiz nunca

fui vindo

 

ajuntador de letras

de imagens

do que posso

 

em nada sendo algo

mas apenas

isto

um mais

 

ou menos

sei lá

 

o vento sopra

lá fora

há um poeta

por dentro dele

a falar-me do binómio de newton

 

talvez volte

e o encontre ou não

é tudo assim

 

(ria de aveiro; torreira)

do tempo


 

 

 

chuva no vidro

chuva no vidro

 

 

como são cinzentos

estes dias sem sol

húmidos de tantas lágrimas

de olhos nenhuns

caídas

 

é inverno

nenhum inverno

é eterno

 

tempo virá de haver

sol sobre os corpos

e não haverá coelhos

por mais brancos

que escapem vivos

 

falo de estações

e de apeadeiros

 

(torreira; marina dos pescadores)