despe-te de tudo
despe-te
fica nu
põe-te em frente
ao espelho
não estranhes
se não vires nada
afinal talvez fosses só
a roupa que trazias
por sobre
recomeça-te
até veres algo
(ria de aveiro; torreira)
saber que
tão breve
tão coisa pouca
tão aqui
sem
fazedor de coisas várias
não me fiz nunca
fui vindo
ajuntador de letras
de imagens
do que posso
em nada sendo algo
mas apenas
isto
um mais
ou menos
sei lá
o vento sopra
lá fora
há um poeta
por dentro dele
a falar-me do binómio de newton
talvez volte
e o encontre ou não
é tudo assim
(ria de aveiro; torreira)
como são cinzentos
estes dias sem sol
húmidos de tantas lágrimas
de olhos nenhuns
caídas
é inverno
nenhum inverno
é eterno
tempo virá de haver
sol sobre os corpos
e não haverá coelhos
por mais brancos
que escapem vivos
falo de estações
e de apeadeiros
(torreira; marina dos pescadores)