caldeirada de enguias à murtoseira


 

 

caldeirada enguias

 

 

receita do meu tio avô césar augusto cravo, escrita, guardada e utilizada pelo meu pai.

 

convém notar, porém, que a receita implicava também, para que a caldeirada ficasse bem feita, que as enguias fossem de determinadas zonas da ria, quando elas hoje já escasseiam em toda a ria.

 

aqui fica pois uma receita possível para a caldeirada e que, se bem aplicada, ainda pode produzir um resultado interessante ao paladar.

 

bom trabalho

 

1) num tacho pôr:

 

  • água ( a quantidade depende de se querer fazer sopa ou não)
  • enguias cortadas às postas (meio quilo por comensal)
  • tomate aos quartos
  • cebola às rodelas
  • folha de louro
  • um pedaço de unto de porco
  • alhos
  • salsa
  • um pouco de azeite
  • batatas cortadas às rodelas

 

  1. quando começar a ferver adicionar: 
  • pó de gengibre
  • um pouco de sal para a sopa

 

  1. deixar ferver durante 15 minutos

 

  1. retirar do lume 
  1. retirar caldo para a sopa 
  1. numa tijela fazer uma calda com

 

  • sal
  • azeite
  • alho picado
  • salsa picada
  • umas gotas de vinagre
  • um pouco de caldo da caldeirada 

    7) mexer tudo muito bem e verter a calda no tacho (dependendo a quantidade do paladar mais ou menos apetitoso que se pretenda obter)

     

    8) voltar a levar ao lume só para levantar fervura

     

    9) retirar o tacho do lume e ….. bom apetite

amor


 

 

 

pais

 

14 de fevereiro de 2013

 

não, não é um poema de amor, é do amor que falo

os meus pais têm 88 anos e 63 de casados

no passado dia 14 de fevereiro, na visita diária que lhes faço nos últimos tempos, depois de almoço, pergunto a minha mãe o que tinha feito de manhã

– fui à baixa e, como hoje é dia dos namorados, trouxe uma caixinha de bolos em forma de coração

sorri

.

rostos da minha terra (4)


josé manuel vieira, presidente da Associação Portuguesa de Xávega (APX)

josé manuel vieira, presidente da Associação Portuguesa de Xávega (APX)

em novembro de 2012 foi criada a Associação Portuguesa de Xávega (APX) – se lerem a sigla à moda dos pescadores fica “há pêxe”, feliz a escolha.

está assim criada uma ferramenta  de união dos arrais da xávega pela luta da sobrevivência desta arte de pesca tradicional.

quando os homens querem

diz de ti


 

companha do falecido arrais zé murta; torreira, 2008)

companha do falecido arrais zé murta; torreira, 2008)

vão duros os tempos

 

da companha que hoje

urgente se torna

ou somos nós os camaradas

ou o peixe caído na rede

dos financeiros

armadores da trama

 

é tempo de decidir

quem quer ser o quê

é tempo de saber

se um homem vale mais

que um peixe

 

canta se tens voz

grita se revoltado

silencia-te se morto

diz de ti

 

apanha de bivalves na ria de aveiro


quando as caixas de fruta se transformam em cirandas

quando as caixas de fruta se transformam em cirandas

como já escrevi sobre este assunto um breve texto:  “sobrevivência dos pescadores na ria de aveiro”, retomo apenas o já dito sobre a apanha de bivalves e parto daí.
(……)
– bivalves (berbigão e amêijoa – de várias qualidades, sendo a predominante a “invasora”, denominada “japónica”. a apanha só é interrompida caso sejam detectadas nas águas microorganismos perigosos para a a saúde humana e é feita recorrendo às seguintes arte legais: cabrita alta, cabrita baixa, à mão e em apneia com tubo.
(…..)
a vida dos pescadores, quaisquer que sejam eles, é uma vida dura de grande desgaste físico e emocional, a que acresce no caso pescadores da ria no concelho da murtosa uma exploração inconcebível por parte de alguns intermediários.
a incapacidade, há muito evidenciada, e sem resolução à vista, dos pescadores da murtosa se organizarem por forma a controlarem todo o processo da pesca – da apanha à venda -, faz com que sejam esburgados pelos 2 intermediários, dos quais um é dominante, e que lhes compram linguados, chocos e bivalves, para revenda.
para além de serem miseravelmente pagos, não podem sequer pôr em causa o peso de pescado calculado na balança do intermediário, e, imagine-se, muitas vezes nem sequer sabem, no acto da entrega, a quanto lhes vai ser pago o quilo !!!!!
praticamente todos os pescadores têm um “contrato de fidelização” com um dos revendedores, sendo que a cláusula relevante do mesmo é a penalização do pescador em 500 euros, caso seja “apanhado” a vender o que pescou a outro comprador.
no que diz respeito aos bivalves, que são maioritariamente revendidos para espanha (galiza), para consumo imediato ou povoamento de viveiros, é o revendedor que determina as quantidades, o preço, os dias e as horas a que os quer receber.
pode-se dizer que a única fonte de rendimento, quase permanente, dos pescadores/mariscadores do concelho da murtosa, e são muitos, é a apanha de bivalves, a qual gera não pouca riqueza nos bolsos dos intermediários.

sobreviver na ria de aveiro


o peso do pão

o peso do pão

A sobrevivência dos pescadores da ria de Aveiro e, nomeadamente, do concelho da Murtosa, depende das seguintes capturas:

– enguia (cada vez mais escassa e, por isso mesmo, com cada vez menos pescadores a sobreviverem da sua pesca)

– choco, linguado, sável e lampreia (espécies sazonais e complementares, capturadas com artes de emalhar)

– bivalves (berbigão e amêijoa – de várias qualidades, sendo a predominante a “invasora”, denominada “japónica”. A apanha só é interrompida caso sejam detectadas nas águas microorganismos perigosos para a saúde humana e é feita recorrendo às seguintes arte legais: cabrita alta, cabrita baixa, à mão e em apneia com tubo.

A beleza das imagens registadas no vídeo é uma das maravilhas da ria, o espanto permanente dos que têm o privilégio de a conhecer perante a magnificência dos espectáculos que ela proporciona.

ahcravo

para ler com o vídeo de jorge bacelar