vai o barco ao mar
vai o homem no barco
ventre outro deste
ser pescador aqui
quem cuida de quem
o homem da virgem
a virgem do homem
é preocupação para um lugar
outro
importa aqui
tão só
que ambos voltem
ser pescador é assim: ser baptizado com um nome, crescer com a alcunha da família e, quantas vezes, ganhar por si a alcunha por que será conhecido.
com o joão manuel neto foi assim, como é e será enquanto pescadores houver.
fotografei o avô, alfredo, o falecido tio antónio, o pai manuel e outros da família, todos netos de apelido de registo.
há quantos anos conheço o joão…. acho que nenhum de nós sabe, mas ambos sabemos que, para além da fotografia há uma coisa muito mais forte: a amizade.
abraço joão, são homens como tu que enriquecem as artes do mar e da ria da nossa terra e mostram que ainda é possível ser “pescador da torreira”, assim os homens que mandam neste país lhes reconheçam o real valor.
(torreira; marina dos pescadores; safar redes)
esperam os homens
a rede
no fim o saco
quem sabe
o peixe
rente à areia
corre a cala
avista-se o calão
o peixe
não
tudo tem seu tempo
aqui
onde o tempo corre
pelos sulcos rasgados no rosto
salgados viveres
amargos
(à memória do arrais zé murta, torreira, 2008)
não nos queiram contar
fomos muitos
fomos indignação
protesto
fomos gerações
unidas massacradas
mas não vencidas
não nos queiram contar
fomos bastantes
revivemos o que pensávamos
já não
fomos ainda os mesmos
e muitos mais
isso te digo
cantámos e dissemos
basta!
basta!
ouviram?
estaremos cá
sempre
por nós
os que pela mão
ensinámos
a serem
estaremos cá
sempre
BASTA!
o vídeo