da margem


escrevo das margens

onde os olhos

marginais também

 

sou

mais um apenas

nos caminhos

por onde ando

desando

encontro desencontro

 

aí

nos apertamos as mãos

e dizemos

de nós

sem tempo de antena

nem pressas de

 

na margem

não à margem

debruçado sobre

bem por dentro

no côncavo

dos dias

 

na margem sempre

de onde se vê melhor

o centro

voltar ao mar


 

mar de cavala onde uma salema

mar de cavala onde uma salema

chega o saco
à praia
esventram-no
mãos sábias

o peixe salta
vivo ainda
enchendo os homens
de escamas e sal

engana-se quem vê
pensando que quantidade
é pão

onde anda cavala
não há carapau
onde não há carapau
falta o pão

o suor
rendeu-se ao peso
o cansaço
não deu frutos
o mar não foi mãe

o pescador
sabe que ao ir o barco ao mar
só lhe resta esperar
e
ao mar voltar