do tempo
a pesada mão
sobre os dias cai
foi-se
foram-se
tudo e nada
é agora
nas mãos cresce
o tempo
que as consome
olho-as
um vídeo de Jorge Bacelar a que emprestei palavras
paridos do ventre
da terra
cresceram com os animais
o milho e as couves
são irmãos de todos
que a todos amam
os pés-raízes
bebem na mãe as forças
com que vencem
as surpresas adversas da natureza
e a perversidade do mundo
onde vigoram valores que lhes são estranhos
cansados desgastados
pelo tempo e a vida dura
acordam o dia e os galos da capoeira
que lhes matarão a fome em dias de festa
ou domingos de descanso por inventar
a terra os viu nascer
a terra os virá colher
a terra-mãe
a terra-mulher
Poema de ahcravo
por uns momentos
a fuga
a imagem não é daqui
é de vir até
o pescador
o homem das companhas
da torreira e do outro lado da barra
pôs uns óculos de sol
(quem sabe oferta de amigo ou turista)
voou e poisou aqui
já outro
de barba rija
português de gema
(como soi dizer-se)
o pescador
é agora actor num filme nacional
de promoção da xávega
por uns momentos
só por uns momentos
o sonho cresceu sobre a areia
e não durou mais
que a faina dá pouca folga
espectáculo ti miguel !