a seda
a noite
a ceia
o luxo
a caixa
o frio
a fome
assim aqui
hoje
a seda
a noite
a ceia
o luxo
a caixa
assim aqui
hoje
é tempo
de rua
música
outra
contra
o silêncio
fome
todos
roem
ocos

a mancha estende-se cresce oleosa liberal laranja azul manto cego surdo cobre cobra cala a mancha sabe quer impõe segue até que se agite o mar a engula a onda a raiva o desespero a razão nós
(torreira; 2012)
acordar o dia
dizem
não sabem
porém
onde os olhos
lavar
nascer aqui
é viagem
início
concede ao sol
(para ler com o vídeo, mais uma vez sem comentários, de Jorge Bacelar)
revêm-se detalhes
(as cores são fundamentais
os decotes generosos
a saia abaixo do joelho
aposta-se nos olhos)
o défice e a austeridade
revêem-se detalhes
( as cores são fundamentais
as orelhas finas e atentas
os dentes brancos e cortantes
a língua de fora f ica bem:
quem sabe uma cenoura)
o défice e a austeridade
revêem-se detalhes
(as cores são fundamentais
os neurónios devem estar limpos
a voz não deve ganhar velocidade
impõe-se o monocórdico discurso repetitivo)
uma voz ao fundo soa:
ela vem aí!
o défice e a austeridade
o monstro, o lacaio e o robot
julgam-se no trono da europa
mas, quiçá, cairão no cu do mundo