inventam-se


inventam sem pressas

os dias por onde

o sol

se bebe

 

alimentam-se

de memórias e espanto

são a espera

depois de terem sido

o assobiar às ovelhas

as hortas por regar

as batatas o centeio

o queijo

 

dão-lhes cadeiras

com vista para o futuro

e ele é o sol

 

sorriem ainda

ao verem-se na serra

onde já não

 

inventam-se

 

(covilhã)

alegria de ser


 

chegaste onde

a alegria de

quantos sorrisos são?

 

conseguiste

eu sei

isso basta

é tanto

é mais do imaginavas

 

sorris muito

sorris como nunca

sorris por dentro

do sorriso

aí és mais tu

és

 

o segredo do como

o suor e o sangue

as lágrimas

o domar do corpo

tudo isso agora

nada é já

 

sorris

és a alegria de ser

 

(figueira da foz; cae; jardins de inverno 2012)

feira medieval de buarcos_páscoa 2012_os rostos


isabel baptista

olha as pedras

as runas nelas

inscritas

manuseia-as

 

há algo de estranho

no seu olhar

 

as pedras

colhi-as no meu rio

 

celtas os caracteres

rituais

escritos a sangue

são agora memória

e símbolo

 

de olhos fechados

apanhei uma pedra do cesto

com a runa do dia

o significado, perguntei

 

encontro e amor

 

de tudo isso se tinha feito

o meu dia

sorte?

coincidência?

 

que importa

a runa falou

e disse a verdade