os moliceiros têm vela (2)


um moliceiro a velejar  para o futuro

um moliceiro a velejar para o futuro

O barco moliceiro, ex-libris lagunar

(continuação do artigo da dra ana maria lopes)
Um dos assuntos que tem sido polémico, em que os investigadores estão longe de concordar, é a origem do moliceiro. O facto de haver semelhanças entre ele e outras embarcações bastante mais remotas não quer dizer que delas provenha. Ultimamente, em estudos que dedicou às Embarcações Lagunares que Tiveram Berço na Laguna – 2 -, o autor admite como muito sensato ter esta embarcação nascido, fruto das necessidades dos proprietários, das hábeis mãos dos nossos construtores navais lagunares, porventura, tendo reflectido uma evolução da própria bateira ílhava, ao adquirir a forma que hoje lhe conhecemos, pelos finais do século XVIII, inícios de XIX.

Os meios de propulsão do barco moliceiro são (eram) a vela, a vara ou a sirga, que os ocupantes traduzem por meio de expressões popularizadas como «andar à vela», «andar à vara» ou «andar à sirga».

A vela, de formato trapezoidal, normalmente de lona, com a superfície média de 24 metros quadrados, desliza ao longo de um mastro com cerca de 8 metros, de pinho, desmontável, suspensa de uma vara, a verga, de pinho ou de eucalipto com cerca de 4 m. Quando o barco bolina, utiliza-se a pá de borda ou toste, que faz as vezes de quilha.

O segundo meio de propulsão – a vara – era utilizado nos dias de calmaria ou em manobras junto aos cais, motas, malhadas (terrenos situados à borda d’água, com ligeira inclinação, para a descarga do moliço). A sirga, actualmente, caiu completamente em desuso.

Entre os apetrechos do barco, há a distinguir os que são fornecidos pelo estaleiro (falcas, falquins, tostes, escoadoiro e leme) e os que eram preparados pelo próprio dono: varas, ancinhos, tamancas, forcadas, lambaz, padiola, cabos, engaços, pranchas e alguns utensílios de uso doméstico.

2- Senos da Fonseca, Embarcações que Tiveram Berço na Laguna. Papiro Editora. Porto, 2011, p. 99.

o futuro tem as cores que quiseres

o futuro tem as cores que quiseres

(moliceiro na ria)

moliceiros sempre (1)


o voo dos cisnes

o voo dos cisnes

dos moliceiros e do moliço

até meados da década de 60 do século passado, os montes de moliço cobriam todo cais do bico.

segundo os dados coligidos pelo comandante rocha e cunha, no livro ” notícia sôbre as indústrias marítimas na área da jurisdição da capitania do pôrto de aveiro” (1938, gráfica aveirense)

“ …. em 1938 existiam na ria 1750 moliceiros, que rendiam 3.600.000$00.

pesca lagunar no mesmo ano:

nº de pescadores- 1.255; nº de redes – 1.354; rendimento – 1.981.582$00.”

percebe-se assim a importância que o moliço tinha na economia da ria de aveiro.

era tal a quantidade apanhada que houve que estabelecer um período de defeso, correspondente ao da desova e criação dos peixes que escolhiam a ria como maternidade.

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(torreira; regata s. paio, setrembro, 2014)

não deixem morrer os cisnes da ria


o esplendor dos cisnes da ria, íntegros

o esplendor dos cisnes da ria, íntegros

esta foi uma das duas fotos, ” a escolha da redacção”, a publicadas na revista “national geographic portugal”, no número de dezembro, já nas bancas

a legenda da foto, da responsabilidade da redacção, é a seguinte:

 Ahcravo Gorim  Aveiro, Portugal

Uma regata de moliceiros na ria de Aveiro foi o pretexto para o fotógrafo utilizar o preto e branco como técnica dramática. Ahcravo Gorim, deu o título à imagem: “Não deixem morrer os cisnes da ria ” 

depois do meu post de ontem sobre o que poderá vir a ser, ou já será, a nova “marca/imagem” do município da murtosa (a pátria do moliceiro), e o modo como decorreu todo o procedimento que conduziu à sua elaboração, a publicação desta foto, na revista national geographic portugal, acho que fala por si.

o tempo/a história, escreverá com letras de pedra, a triste estória que relatei, e não esquecerá os seus autores.

relembro uma frase célebre: “roma não paga a traidores”.

VIVAM OS MOLICEIROS !!!!!!!!!!!!!!

postais da ria (40) – da ilusão


há momentos em que início e fim se confundem

há momentos em que início e fim se confundem

não te iludas com o silêncio
é nele que crescem as palavras
que cuidas desdenhar ouvir

não oiçam de ti os teus filhos
o que não quererias ouvir de teus pais

tu serás o que deixares

decide tu o quê

decide tu o quê

(murtosa; ribeira de pardelhas)

postais da ria (36)_quanto tempo mil palavras?


escuta sente lê

escuta sente lê

lê a imagem com o vagar
das mil palavras que nela
a sabedoria diz

quanto tempo mil palavras?

ouve-as dizendo-as
sente-as
são a imagem dita por ti
a tua imagem

levo comigo o sonho
de ter visto

quanto tempo mil palavras?

e agora?

e agora?

(ria de aveiro; torreira)

postais da ria (35) – carta aos patrões da pátria


postais da ria (35)

um moliceiros no cais do bico, murtosa, em 2009

um moliceiros no cais do bico, murtosa, em 2009

“A pátria onde Camões morreu de fome e onde todos enchem a barriga de Camões! (José de Almada Negreiros) “

pergunto-vos onde estou
e sei que sabeis que não sabeis
ou se o sabeis não o lamentais

não sei sequer se ainda sou
porque se o for já nada é como vedes
neste fragmento de tempo parado
diante dos olhos de quem para mim
ao ver-me se lembra de o ter sido

se em vida me não destes a mão
ao menos agora quando as forças me faltam
deixai que me recordem como fui

não há muito tempo um cartaz pedia
“não matem os moliceiros”
hoje agora aqui
apenas vos pedimos
“não matem a nossa memória”

(assinado: um moliceiro)

como eu era belo há tão pouco tempo

como eu era belo há tão pouco tempo

(murtosa; bico; 2009)

postais da ria (33)


o fim está tão próximo quanto a vitória

o fim está tão próximo quanto a vitória

nada dizer

nem todos os dias são
muitos haverá em que
tu sabes
não pode ser
sempre nem nunca

sê no dia em que não
o mesmo que noutro dia qualquer
a razão encontra-la-ás se
razão houver mas
não será por isso

pelo que és
pelo que sonhas
pelo que queres que seja
vai

porque nada é o que

a vitória está tão próxima como o fim

a vitória está tão próxima como o fim

(ria de aveiro; regata da ria, 2014)