ficarem as lágrimas
suspensas
por lavar
a mágoa
queima por dentro
arde no mais fundo
como facas as palavras
rasgam ferem cortam
o silêncio
são tréguas
(falo da lama
de tudo isto)
(nota: os barcos são identificados pelo nome – proprietário – localidade)
participantes:
sermar – mestre felisberto – pardilhó
pequenito – ti manel “vareiro” – ovar
tonecas – amiria – murtosa
sara e cristina – ti virgílio – quintas
avô joão – joão amarante – vagueira (barco em fibra)
a. rendeiro – ti zé rebeço – murtosa
dos netos – ti abílio “carteirista” – murtosa
marnoto – domingos marnoto – costa nova
zé rito – mestre zé rito – torreira
manuel vieira – manuel “valas” – torreira
manuel silva – manuel “valas” – torreira
inobador – portugal telecom – ilhavo
câmara municipal da murtosa
classificação (5 primeiros)
1º – zé rito – mestre zé rito – torreira
2º – a. rendeiro – ti zé “rebeço” – murtosa
3 º- dos netos – ti abílio “carteirista” – murtosa
4º – manuel silva – manuel “valas” – torreira (timoneiro: zé pedro, neto do mestre zé rito)
5º – pequenito – ti manel “vareiro” – ovar
não
não quero saber nada do que sei
esquecer tudo o que aprendi
ser eu apenas
eu e
estar aqui
ignorar se o tempo é eterno
se choverá ou fará sol ainda
para além de
que tudo se reduza ao momento
mesmo que não se perpetue
mas seja o instante
e o que for
quando tiver de ser
seja
não há barcos a navegar na ria
também eu tenho marés
as obras de remodelação dos cais do Bico, mostram à evidência, ou aos olhos de quem por lá passa em dia de maré cheia, que há algo que não está bem. então a água entra no cais como se a ria se prolongasse por ele dentro? é essa a ideia de um cais: ficar debaixo de água?
as imagens estão aí, tiradas por mero acaso em 2012 e 2013, no verão, em dias de marés vivas, mas sem chuva, imagine-se uma situação de maré viva e com chuva…..
repare-se na foto em que é claro que a cota dos cais remodelados está abaixo da do cais da marina. porquê? o que terá levado a que se tivesse feito desse modo? quem fez o projecto conhecia o Bico? quem o aprovou, fiscalizou a obra e a recebeu, conhecia o Bico? para estas perguntas, que normalmente não teriam cabimento, a resposta teria de ser sim. porque esse é o princípio que rege toda a obra: o saber do onde, como,para quê e para quem. só que no caso do Bico, face o resultado elas surgem naturalmente.
talvez encontre uma resposta para o abaixamento da cota: ficar ao mesmo nível do lado oeste (do mar) do Bico.
mas quem conhece o Bico sabe que os cais centrais ficavam sempre debaixo de água quando ocorriam marés vivas. então a obra teria sido uma boa altura para os elevar e impedir que isso voltasse a acontecer. mas não, agora a ria já não passa por cima da lama, passa por cima da pedra e de alguns milhões de euros malbaratados.
assisti ao assentamento da parte final da calçada e, a foto atesta-o, o piso ainda estava cheio de sal da última maré cheia. quem pode dar garantias sobre esta calçada?
depois inventaram uns muretes de cimento para impedir que a água entrasse, mas esqueceram-se que a água também pode vir de baixo…. mais uns euritos. a menos que se estivesse a pensar em fazer piscinas para que algumas crianças pudessem gatinhar pela primeira vez nas águas da ria.
isto para não falar nos molhes, onde é suposto as embarcações atracarem, e que em vez de serem na vertical – como foi feito mais tarde na ribeira de Pardelhas e está a ser feito na Cambeia, permitindo uma atracação fácil, com pequenas escadas chumbadas no encosto – se optou por uma inclinação tal que foi necessário reconstruir ou reinventar os cais palafitas de antes das obras.
quantos milhões de euros custou a obra? quanto tiveram de gastar os utilizadores na construção dos acessos ao seus barcos? quanto tempo vão durar os cais centrais, a calçada? como é possível tanto erro e tanto dinheiro mal gasto? quanto custou tudo isto ao contribuinte? que imagem fica do Bico?
certamente que o Bico e a Murtosa mereciam melhor.
vão até ao Bico, vejam e, pelas marés de S. Bartolomeu, em agosto, pasmem.
por vezes, ver é inconveniente e pensar pode ser perigoso para certas poltronas.
mais fotos
hoje vi o tempo
sentado à mesa do café
anos sobre anos somados
e eu ali
quem sabe um dia
um outro tempo
por outros visto
parei de ler
impossível continuar
levantei-me
comigo o livro
as palavras sobre o papel
o prazer
caminhei pela beira ria
onde o tempo
de outro modo se lia
registei-o
quem sabe
num tempo outro
alguém
desde que foi retomada a tradição da romaria da srª do bom sucesso, em janeiro/fevereiro, que os pescadores da torreira, realizam em julho uma festa para angariação de fundos da romaria do ano seguinte.
este ano, pela primeira vez, foram os pescadores que arcaram com todo o trabalho e não tiveram mãos a medir, nem medo, que deles e com eles tudo se pode esperar.
as fotos que constam deste álbum são uma pequena amostra, como é meu costume, entrego todos os anos ao pároco da torreira, um cd ou dvd, com todas as fotos e é a ele que devem ser pedidas.
abraço e parabéns a todos os que contribuíram para mais este convívio onde o porco no espeto, as sardinhas e o carapau fizeram bom trabalho na angariação de fundos.
o caldo verde, diz quem o comeu, estava uma delícia.
tudo se esgotou.