joão rodinhas


joão rodinhas

joão rodinhas

 

ser pescador é assim: ser baptizado com um nome, crescer com a alcunha da família e, quantas vezes, ganhar por si a alcunha por que será conhecido.

 

com o joão manuel neto foi assim, como é e será enquanto pescadores houver.

 

fotografei o avô, alfredo, o falecido tio antónio, o pai manuel e outros da família, todos netos de apelido de registo.

 

há quantos anos conheço o joão…. acho que nenhum de nós sabe, mas ambos sabemos que, para além da fotografia há uma coisa muito mais forte: a amizade.

 

abraço joão, são homens como tu que enriquecem as artes do mar e da ria da nossa terra e mostram que ainda é possível ser “pescador da torreira”, assim os homens que mandam neste país lhes reconheçam o real valor.

 

(torreira; marina dos pescadores; safar redes)

caldeirada de enguias à murtoseira


 

 

caldeirada enguias

 

 

receita do meu tio avô césar augusto cravo, escrita, guardada e utilizada pelo meu pai.

 

convém notar, porém, que a receita implicava também, para que a caldeirada ficasse bem feita, que as enguias fossem de determinadas zonas da ria, quando elas hoje já escasseiam em toda a ria.

 

aqui fica pois uma receita possível para a caldeirada e que, se bem aplicada, ainda pode produzir um resultado interessante ao paladar.

 

bom trabalho

 

1) num tacho pôr:

 

  • água ( a quantidade depende de se querer fazer sopa ou não)
  • enguias cortadas às postas (meio quilo por comensal)
  • tomate aos quartos
  • cebola às rodelas
  • folha de louro
  • um pedaço de unto de porco
  • alhos
  • salsa
  • um pouco de azeite
  • batatas cortadas às rodelas

 

  1. quando começar a ferver adicionar: 
  • pó de gengibre
  • um pouco de sal para a sopa

 

  1. deixar ferver durante 15 minutos

 

  1. retirar do lume 
  1. retirar caldo para a sopa 
  1. numa tijela fazer uma calda com

 

  • sal
  • azeite
  • alho picado
  • salsa picada
  • umas gotas de vinagre
  • um pouco de caldo da caldeirada 

    7) mexer tudo muito bem e verter a calda no tacho (dependendo a quantidade do paladar mais ou menos apetitoso que se pretenda obter)

     

    8) voltar a levar ao lume só para levantar fervura

     

    9) retirar o tacho do lume e ….. bom apetite

apanha de bivalves na ria de aveiro


quando as caixas de fruta se transformam em cirandas

quando as caixas de fruta se transformam em cirandas

como já escrevi sobre este assunto um breve texto:  “sobrevivência dos pescadores na ria de aveiro”, retomo apenas o já dito sobre a apanha de bivalves e parto daí.
(……)
– bivalves (berbigão e amêijoa – de várias qualidades, sendo a predominante a “invasora”, denominada “japónica”. a apanha só é interrompida caso sejam detectadas nas águas microorganismos perigosos para a a saúde humana e é feita recorrendo às seguintes arte legais: cabrita alta, cabrita baixa, à mão e em apneia com tubo.
(…..)
a vida dos pescadores, quaisquer que sejam eles, é uma vida dura de grande desgaste físico e emocional, a que acresce no caso pescadores da ria no concelho da murtosa uma exploração inconcebível por parte de alguns intermediários.
a incapacidade, há muito evidenciada, e sem resolução à vista, dos pescadores da murtosa se organizarem por forma a controlarem todo o processo da pesca – da apanha à venda -, faz com que sejam esburgados pelos 2 intermediários, dos quais um é dominante, e que lhes compram linguados, chocos e bivalves, para revenda.
para além de serem miseravelmente pagos, não podem sequer pôr em causa o peso de pescado calculado na balança do intermediário, e, imagine-se, muitas vezes nem sequer sabem, no acto da entrega, a quanto lhes vai ser pago o quilo !!!!!
praticamente todos os pescadores têm um “contrato de fidelização” com um dos revendedores, sendo que a cláusula relevante do mesmo é a penalização do pescador em 500 euros, caso seja “apanhado” a vender o que pescou a outro comprador.
no que diz respeito aos bivalves, que são maioritariamente revendidos para espanha (galiza), para consumo imediato ou povoamento de viveiros, é o revendedor que determina as quantidades, o preço, os dias e as horas a que os quer receber.
pode-se dizer que a única fonte de rendimento, quase permanente, dos pescadores/mariscadores do concelho da murtosa, e são muitos, é a apanha de bivalves, a qual gera não pouca riqueza nos bolsos dos intermediários.

sobreviver na ria de aveiro


o peso do pão

o peso do pão

A sobrevivência dos pescadores da ria de Aveiro e, nomeadamente, do concelho da Murtosa, depende das seguintes capturas:

– enguia (cada vez mais escassa e, por isso mesmo, com cada vez menos pescadores a sobreviverem da sua pesca)

– choco, linguado, sável e lampreia (espécies sazonais e complementares, capturadas com artes de emalhar)

– bivalves (berbigão e amêijoa – de várias qualidades, sendo a predominante a “invasora”, denominada “japónica”. A apanha só é interrompida caso sejam detectadas nas águas microorganismos perigosos para a saúde humana e é feita recorrendo às seguintes arte legais: cabrita alta, cabrita baixa, à mão e em apneia com tubo.

A beleza das imagens registadas no vídeo é uma das maravilhas da ria, o espanto permanente dos que têm o privilégio de a conhecer perante a magnificência dos espectáculos que ela proporciona.

ahcravo

para ler com o vídeo de jorge bacelar