de tanto olhar
ouvi o silêncio
ser pescador é assim: ser baptizado com um nome, crescer com a alcunha da família e, quantas vezes, ganhar por si a alcunha por que será conhecido.
com o joão manuel neto foi assim, como é e será enquanto pescadores houver.
fotografei o avô, alfredo, o falecido tio antónio, o pai manuel e outros da família, todos netos de apelido de registo.
há quantos anos conheço o joão…. acho que nenhum de nós sabe, mas ambos sabemos que, para além da fotografia há uma coisa muito mais forte: a amizade.
abraço joão, são homens como tu que enriquecem as artes do mar e da ria da nossa terra e mostram que ainda é possível ser “pescador da torreira”, assim os homens que mandam neste país lhes reconheçam o real valor.
(torreira; marina dos pescadores; safar redes)
receita do meu tio avô césar augusto cravo, escrita, guardada e utilizada pelo meu pai.
convém notar, porém, que a receita implicava também, para que a caldeirada ficasse bem feita, que as enguias fossem de determinadas zonas da ria, quando elas hoje já escasseiam em toda a ria.
aqui fica pois uma receita possível para a caldeirada e que, se bem aplicada, ainda pode produzir um resultado interessante ao paladar.
bom trabalho
1) num tacho pôr:
7) mexer tudo muito bem e verter a calda no tacho (dependendo a quantidade do paladar mais ou menos apetitoso que se pretenda obter)
8) voltar a levar ao lume só para levantar fervura
9) retirar o tacho do lume e ….. bom apetite
todo o tempo é
agora
toda a geografia é
aqui
a luz é admirável
e tu
esquece o mais
o instante
o lugar
o estares
povoam-te
estás vivo
sente-lo
como nunca
não existes apenas
o real fere-te
sangras vida
és o sol
onde os olhos
ouço
por dentro
sons
vozes de amigos
gritos de aves
o suave rumor
do deslizar
dos barcos
no caminho
das águas
onde os olhos
poisam
perco as asas
e sou mais
A sobrevivência dos pescadores da ria de Aveiro e, nomeadamente, do concelho da Murtosa, depende das seguintes capturas:
– enguia (cada vez mais escassa e, por isso mesmo, com cada vez menos pescadores a sobreviverem da sua pesca)
– choco, linguado, sável e lampreia (espécies sazonais e complementares, capturadas com artes de emalhar)
– bivalves (berbigão e amêijoa – de várias qualidades, sendo a predominante a “invasora”, denominada “japónica”. A apanha só é interrompida caso sejam detectadas nas águas microorganismos perigosos para a saúde humana e é feita recorrendo às seguintes arte legais: cabrita alta, cabrita baixa, à mão e em apneia com tubo.
A beleza das imagens registadas no vídeo é uma das maravilhas da ria, o espanto permanente dos que têm o privilégio de a conhecer perante a magnificência dos espectáculos que ela proporciona.
ahcravo
para ler com o vídeo de jorge bacelar