tudo se repete
nada é igual
onde ficou quem fui
onde está quem sou
uma geografia de carne e osso
onde afectos desencontrados
um grão de areia
é tudo
se ao menos
o fora
(torreira; companha do marco;alar)
(para o joão janz e o marco silva)
construir pontes
erguê-las na geografia
dos afectos por inventar
fazer dos amigos amigos
sermos mais
juntar mar e terra
trazer ao presente a memória
levá-la ao futuro
cavalgar as ondas dos dias
escrever cartas e ser delas o carteiro
estar vivo
nem sempre é cansaço e desilusão
(torreira; 2014)
parabéns marco
18 de julho de 2014
o alfredo faz anos. a história contada pelo próprio:
” faz hoje 26 anos, a minha mãe estava a trabalhar no mar e deu um bom lanço de lingueirão.
depois nasci eu. ainda me lembro”
é por se lembrar tão bem de tudo, que todas as manhãs, quando a companha do marco vai ao mar, recebo por volta das 6h uma mensagem do alfredo:
“tamos no mar”
e aí vou eu.
a função do alfredo na companha, é o alar do reçoeiro, onde faz grupo com o fernando e o ti américo.
são muitos metros de corda, não são alfredo?
abraço
(torreira; companha do marco; 2014)
esta foto é para si marco
há telefonemas que dizem tudo.
na segunda-feira tinha de ir para coimbra, soube a hora para que o marco dera ordens, atrasei o almoço e fui à praia ver o largar – este.
depois de o barco vencer a pancada de mar, o meu telemóvel toca.
– esta foto é para si, sr. cravo
era o marco.
há amigos assim.
(torreira; companha do marco; jul, 2014)
porque amavam o mar
há poucos dias
30 de junho para ser preciso
o poeta joaquim namorado
faria cem anos se vivo
hoje passam dez anos
sobre a morte de sophia
os poetas
os grandes poetas
vão crescendo na memória
o pulsar a vida
em cada verso
o sentir de um povo
em cada poema
serem de carne e sangue
as palavras
o seu legado
estar aqui ainda
é serem eles em nós
a voz necessária
(torreira; companha do marco; jun, 2014)