no dia mundial da fotografia


a manga cresce sobre a praia

a manga cresce sobre a praia

a luz existe

por mais ínfima

 

luminosos

os amigos

mãos rostos gestos

histórias sem tempo

 

o instante prolongado

na contemplação do registo

a memória

 

a luz cresce

no abraço nos afectos

nas raízes mais fundas

sou todos aqui hoje

 

(torreira; companha do marco; 2014)

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crónicas da xávega, torreira (20)


 

e o maria de fátima vence de novo

e o maria de fátima vence de novo

(para o joão janz e o marco silva)

 

construir pontes
erguê-las na geografia
dos afectos por inventar
fazer dos amigos amigos
sermos mais

juntar mar e terra
trazer ao presente a memória
levá-la ao futuro
cavalgar as ondas dos dias
escrever cartas e ser delas o carteiro

estar vivo
nem sempre é cansaço e desilusão

 

(torreira; 2014)

 

parabéns marco

 

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crónicas da xávega, torreira (19)


 

 

 

ti horácio

ti horácio

 

tudo em nada se torna
é esse o trabalho do tempo

ao homem cumpre
em algo tornar
o nada que tudo foi

a memória
assassina-se preserva-se
constrói-se

serão rascunhos de imagens e palavras
o que vou semeando
nada mais que rascunhos

toma-os

 
(torreira; companha do marco; julho, 2014)

a memória do alfredo no seu aniversário


rolos de corda do reçoeiro

rolos de corda do reçoeiro

 

18 de julho de 2014

 
o alfredo faz anos. a história contada pelo próprio:

” faz hoje 26 anos, a minha mãe estava a trabalhar no mar e deu um bom lanço de lingueirão.

depois nasci eu. ainda me lembro”

é por se lembrar tão bem de tudo,  que todas as manhãs, quando a companha do marco vai ao mar, recebo por volta das 6h uma mensagem do alfredo:

“tamos no mar”

e aí vou eu.

a função do alfredo na companha, é o alar do reçoeiro, onde faz grupo com o fernando e o ti américo.

são muitos metros de corda, não são alfredo?

abraço

 

(torreira; companha do marco; 2014)

crónicas da xávega, torreira (18)


 

o maria de fátima vence o mar

o maria de fátima vence o mar

 

esta foto é para si marco

 
há telefonemas que dizem tudo.
na segunda-feira tinha de ir para coimbra, soube a hora para que o marco dera ordens, atrasei o almoço e fui à praia ver o largar – este.

depois de o barco vencer a pancada de mar, o meu telemóvel toca.

– esta foto é para si, sr. cravo

era o marco.

há amigos assim.

 

(torreira; companha do marco; jul, 2014)

crónicas da xávega, torreira (17)


 

caminhos de areia

caminhos de areia

porque amavam o mar

 

há poucos dias
30 de junho para ser preciso
o poeta joaquim namorado
faria cem anos se vivo
hoje passam dez anos
sobre a morte de sophia

os poetas
os grandes poetas
vão crescendo na memória

o pulsar a vida
em cada verso
o sentir de um povo
em cada poema
serem de carne e sangue
as palavras
o seu legado

estar aqui ainda
é serem eles em nós

a voz necessária

 

(torreira; companha do marco; jun, 2014)