a beleza
é intensa
se por dentro
isso aprenderás
apenas
depois de
(torreira)
vai o peixe à mão?
voou dela?
a magia do congelar
do momento
recria realidades
provoca leituras
não altera o que foi
preserva-o
entrega-o a
é teu e tu o lerás
como
as mãos são
ainda
o grande fascínio
do homem
habilis somos
porque mãos
e como diria galileu:
e pur si muove
(torreira; companha do murta)

quantos anos a olhar o chão
ana?
da barraca para o mar
o alfredo criança ainda
a teus pés de mãe
são de areia os teus caminhos
de areia o chão da barraca
de areia a tua vida
esboroa-se por entre os dedos
o trabalho
sem outros frutos que não o parco peixe
quantos anos a olhar o chão
ana?
quantas como tu de cabeça
baixa?
habitas ao pé do sonho de muitos
mas só isso
que teu é o pesadelo dos dias
de seres da casa o homem
e de teres criado o teu filho
a força de braço
só os teus
será já tarde para ti
a mudança
mas nunca é tarde para quem te vê
sentir que tem de
(torreira; companha do marco; 2010)
mulheres-crianças-meninas
ao peso das redes e das cordas
crescem na areia
beijando o mar
sabem das férias
o sabor a sal
a escamas no rosto
o corpo inteiro é
resistem
que mais se lhes não pede
não as chamam
vêm
não lhes pedem
fazem
crianças-meninas-mulheres
sorriem brincam são mais
no serem aqui
gente
(torreira; companha do murta)