” só eu sei o que não sei … ” de isabel mendes ferreira
a fala dos retratos_5
crónicas da xávega (477)
para o meu amigo agostinho trabalhito
apanhei rente ao mar três seixos rolados de cores diferentes como diferente é tudo entrechocando-se na mão produzem um som áspero um som de memória perdida encostados ao ouvido nada dizem são simples pedras não búzios também eu trago no corpo o mar o mar que ninguém ouve
(torreira; 2016)
a fala dos retratos_4
“Carta a mim mesma” de cláudia r. sampaio
“Antes de entrar” de tiago aires
“Preciso da casa …” de ana freitas reis
“queria morrer contigo…” de pedro sena-lino
CASIMIRO DE BRITO [Loulé, Portugal, 1938]

No Livro das Quedas. Ars Moriendi (Roma Editora, 2005), para Casimiro de Brito a morte é um acontecimento trágico e angustiante, porque vê nela a tremenda foice que corta inexoravelmente e cruelmente o fio da existência, afundando as pessoas no abismo do nada. Apesar da certeza que o autor coloca sobre o fato de que com a morte o ser do homem não está extinto, no entanto, isso marca o fim de uma prova irrepetível. Como situação decisiva da vida, a morte representa, em comparação com a vida, uma passagem para um outro lugar para o qual se pode ir como a própria fundação, como para aquilo em que se encontrará a realização, mesmo que incompreensível… (“a vida do mundo é um bem ilusório”, Alcorão, 3, 185) porque é e permanece excluído das possibilidades cognitivas do intelecto.
2 Um homem vai no seu corpo e subitamente…
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