quem somos nós?


 

 

o maria de fátima

o maria de fátima

quem somos nós?
que tão pouco contamos
a não ser para as contas dos que
contos nos contam de encantar
quem somos nós?

que gente é esta que ganha ao mar
para perder em terra?

flores no peito vermelhas em abril
secam o ano inteiro em jarras
de fato e gravata
decorando salas onde se passeiam
camaleónicos figurantes

quem somos nós
que deixamos de ser
para sermos o que querem?

vencer o mar
não é vencer na vida

 

(torreira; companha do marco)

o “mendigo basilius” na feira medieval de penela 2013 (o álbum)


no próximo sábado dia 7 de junho de 2014, tem lugar em coimbra, no largo da sé velha, mais uma edição da feira medieval de coimbra, em que participa o “mendigo basilius”.

já no artigo  publicado em 17 de maio de 2014, sob o título “basilius na feira medieval de penela (1) mais tarde no artigo “basilius na feira medieval de penela (2), foi desenvolvida uma biografia do basílio por detrás do “mendigo basilius”, pelo que se torna desnecessário acrescentar mais palavras, onde as imagens são o motivo.

sejam bem vindos a coimbra

 

basilius_DSC_0188_feira medieval penela_2013_basilius

basilius_DSC_0187_feira med penela_basilius

basilius_DSC_0205_pedinte fm penela_basilius

basilius_DSC_0209_leproso fm penela_basilius

DSC_0184_feira med penela_basilius

DSC_0202_feira medieval penela_2013_basilius

DSC_0208_feira medieval penela_2013_basilius

DSC_0213_feira medieval penela_2013_basilius

DSC_0214_feira medieval penela_2013_basilius

DSC_0218_feira medieval penela_2013_basilius

DSC_0234_feira medieval penela_2013_basilius

DSC_0192_feira medieval penela_2013_basilius

varela pècurto


varela pècurto

varela pècurto

hoje, dia 31 de maio de 2014, na feira da cultura em coimbra, foram comemorados os 50 anos das fotos aéreas da cidade, feitas por varela pècurto, com a exposição de fotos dessa viagem, repetida no cinquentenário.

com um percurso de vida cheio de história e de estórias, varela pècurto é um homem sem tempo e na companhia de quem o tempo se some.

como as cerejas…. um além tejano em coimbra, é sempre um além tejano

(Eduardo Francisco Varela Pècurto nasceu em Ervedal do Alto Alentejo a 27 de Abril de 1925. Fez o liceu em Évora onde casou com Gláucia Maria Farracha que muito o ajudou ao longo da sua carreira profissional. Nesta cidade foi iniciado na sua profissionalização com David Freitas e Eduardo Nogueira.
Em 1950 fixou-se em Coimbra para dirigir uma secção fotográfica na Livraria Atlântida, passando depois para a “Hilda” onde foi sócio gerente, formando e orientando durante meio século este espaço dedicado à fotografia. Fez parte do «Grupo Câmara» que ajudou a desenvolver individual e colectivamente conseguindo-lhe renome internacional. Concorreu a salões de arte fotográfica onde conquistou placas, medalhas de ouro, prata e bronze e objectos artísticos, destacando os realizados em Portugal, África do Sul, Alemanha, Angola, Argentina, Áustria, Bélgica, Chile, China, Cuba, Dinamarca, Espanha, França, Índia, Inglaterra, Jugoslávia, Marrocos, União Soviética e Uruguai.

https://www.facebook.com/eduardo.pecurto.5/info)

continuo eu


 

como escreveu o poeta "ei-los que partem"

como escreveu o poeta “ei-los que partem”

que mais me resta senão
inventar
dia a dia o dia em que
pinto tudo de novo
como se casa minha
habitada por

e vou por aí
com os sonhos no peito
emprestando a ilusão
de que tudo é belo
e a serenidade algo tão natural
como o seu inventar

aquietadas as angústias
abro os braços
e abraço o vazio

continuo eu

 

(ria de aveiro; torreira)

aparelhar


 

os braços encaminham a manga

os braços encaminham a manga

 

na zorra as mangas e o saco secos, estão prontos para serem de novo carregados no barco e ao mar retornar.

o lanço começa agora, no aparelhar (dispor redes e cordas no bojo do barco).

“quem vai ao mar avia-se em terra”

os homens que vão ao mar, são os que sabem do aparelhar, na areia carreiam as redes, para os que dentro do barco as acomodam como manda a arte.

braços e mãos são caminhos.

 

(torreira; companha do marco; 2011)

a memória


 

regata de moliceiros, festa do emigrante 2007

regata de moliceiros, festa do emigrante 2007

estou cansado
também eu tenho
direito a não escrever
a ficar assim sem dizer nada
fazendo de conta que digo
só para que penses
que leste

é melhor ficar por aqui
sem nada ter dito
no engano de escrever
só para que julguem
que ainda não morri

o cansaço não chega
à memória
isso vos ofereço hoje

 

(murtosa; bico; regata moliceiros, 2007

a ria e


 

um fim de tarde no chegado

um fim de tarde no chegado

eu e ninguém
uma multidão dentro de mim
sentires feitos palavras
reconstruindo silêncios
repensando tempos
esperando

eu e ninguém
somos muitos

condenados a vencer um dia
a saber esperar a aprender a não
eu e ninguém
sabemos que somos muitos
antes e depois
os bastantes para sermos um dia

eu e ninguém
somos muitos

habitamos um tempo para além do tempo
somos o tempo que se constrói dentro do tempo
condenados estamos
a vencer um dia
a vencer

 

(murtosa; chegado)

contem comigo


 

 

a cabritar no cabeço

a cabritar 

 

escritas na água
as palavras boiam nos dias
ilusão ser de terra o lugar onde
certa a incerteza

os dias não são o que
serão somente se

estendo o olhar até onde
procuro insisto e resisto
estou vivo demais
para sucumbir
arrastando desânimo pelas horas

venho de longe para longe vou
deter-me-ei tão só quando
já não for

até lá
contem comigo
de pé

 

(pesado o labor de quem da ria tira o sustento, enterrado na lama)