o mar ignora-nos


 

quão pequenos somos

para menos ainda

nos fazermos

 

desconheço

outros caminhos

que não os por mim

abertos

 

aprendi

a dizer não

se para mim sim

 

sendo sempre

eu

nada mais que isso

eu

e tantos em mim

 

pescadores

digo

dos meus

orgulho de ser

deles

um

 

quão pequenos somos …

imenso o mar

ignora-nos

 

(torreira; companha do marco, 2010)

 

inventam-se


inventam sem pressas

os dias por onde

o sol

se bebe

 

alimentam-se

de memórias e espanto

são a espera

depois de terem sido

o assobiar às ovelhas

as hortas por regar

as batatas o centeio

o queijo

 

dão-lhes cadeiras

com vista para o futuro

e ele é o sol

 

sorriem ainda

ao verem-se na serra

onde já não

 

inventam-se

 

(covilhã)

alegria de ser


 

chegaste onde

a alegria de

quantos sorrisos são?

 

conseguiste

eu sei

isso basta

é tanto

é mais do imaginavas

 

sorris muito

sorris como nunca

sorris por dentro

do sorriso

aí és mais tu

és

 

o segredo do como

o suor e o sangue

as lágrimas

o domar do corpo

tudo isso agora

nada é já

 

sorris

és a alegria de ser

 

(figueira da foz; cae; jardins de inverno 2012)

feira medieval de buarcos_páscoa 2012_os rostos


isabel baptista

olha as pedras

as runas nelas

inscritas

manuseia-as

 

há algo de estranho

no seu olhar

 

as pedras

colhi-as no meu rio

 

celtas os caracteres

rituais

escritos a sangue

são agora memória

e símbolo

 

de olhos fechados

apanhei uma pedra do cesto

com a runa do dia

o significado, perguntei

 

encontro e amor

 

de tudo isso se tinha feito

o meu dia

sorte?

coincidência?

 

que importa

a runa falou

e disse a verdade

A ligação do projecto dos Avieiros às Escolas e às comunidades educativas


 

Está em curso a fase de implementação do projecto dos Avieiros junto das comunidades escolares, de acordo com a estratégia definida. A acção que hoje apresentamos decorreu na Escola D. Dinis, nos Olivais – em Lisboa.

Num auditório com mais de 120 alunos/as e respectivos/as professores/as levou-se a cabo uma acção de promoção da cultura Avieira, do seu conhecimento, da sua compreensão e da sua valorização, através da educação não-formal.

A sessão constou de uma exposição fotográfica sobre os Avieiros, de uma exposição em diapositivos do ideário do Projecto Nacional da Cultura Avieira apresentada pela Dra. Lurdes Véstia, e do filme “ A Aldeia Avieira da Barreira da Bica”, disponível em http://www.youtube.com/watch?v=uhdYOCPb1qg., da responsabilidade do Sr. José Gaspar.

Após a sessão abriu-se o debate aos jovens que colocaram as perguntas que lhes interessava ver respondidas.

Por fim foi lançado o desafio para que as 5 turmas envolvidas fizessem um trabalho de grupo sobre a temática apresentada para serem posteriormente divulgados não só pela comunidade educativa, como através de uma Folha Informativa do Projecto Nacional da Cultura Avieira.

Dessa acção que está em pleno desenvolvimento vos damos conta na presente Folha Informativa.

 

O gabinete de coordenação

(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)

quando o mar trabalha na torreira_da partida


 

sinto que posso partir

o tempo passou

como o norte no cabelo

 

a despedida está feita

volto à terra

ao seu seio mais fundo

 

a minha viagem

foi longa

o destino aproxima-se

aí me apearei

e serei terra também

 

deixo no mar

nos meus irmãos

de outros arados

a lembrança

de um vestido negro

e um guarda chuva em dias de sol

 

vim da terra

à terra volto

levo comigo o mar

sei que vou morrer

cheia de vida

 

(torreira, século XX)