xávega: o abrir do saco
sempre que o aparelho vai para o mar o saco é fechado (cozido) com linha de nylon muito forte, para suportar eventuais boas pescarias (bons lanços).
quando chega a terra, depois de estar em lugar seguro, fora do alcance das vagas de mar, procede-se à sua abertura, com a ajuda de uma navalha que vai cortando o fio.
a operação é, normalmente, levada a cabo pelo arrais.
(torreira; companha do murta; 2006)
vem
augusto água à lua
o prender do saco
da memória
um silêncio azul povoado de bruma e mãos
os rios inventam o leito
e morrem ao longo das margens
não há destino avesso a naus e marinheiros
o mar soa por entre os pinheiros
num marulhar de caruma
um sabor a sg ventil nos lábios
sabes
o desejo nunca cabe num só corpo
e depois
para tanto ser uma pequena tenda basta
terceto
até breve nicole
até breve nicole
findos os lanços
a praia ficava para trás
o mar mais longe
caminhavas para terra
para a ti rosa
onde os amigos que já não
te esperavam:
o ti miguel bitaolra
o teu amigo maior
todos
todos na ti rosa
eram teus amigos
todos
todos na ti rosa
são teus amigos
todos
todos na ti rosa
sabem de cor o teu nome
porque o têm gravado no coração
coração de pescadores
onde os peixes por vezes
têm nome de gente
foste e serás sempre
um deles
(torreira; companha do marco; 2010)
piano
estou assim
piano
moltissimo
estou assim
piano não sei de chão
dessa coisa chamada terra
onde os pés o corpo
poisam
assim mesmo como se
talvez quem sabe tu?
não sei se porque
não te sei também
aqui sou tudo
sou tudo
e não sou ninguém
o piano
leva-me nos braços das notas
ao encontro da noite longuíssima
onde outrora a ternura
tingia de cores garridas
os lençóis
loucos
foram os tempos
e eu








