postais da ria (555)


em português nos entendemos
língua velha que não raiz
árvore que a cada dia floresce

português falamos sotaques
vários nos separam e unem
na diversidade somos palavras

abraçamo-nos sem faca na
manga quantas cores quantas
origens se fundem em nós

não somos os herdeiros de um ontem
que derrotámos mas construtores do futuro
sem preconceitos e sem vergonhas

descobriram agora que os lusíadas
a lírica foram escritos numa língua esquizofrénica
envergonhada diz luiz se assim foi

curvo-me perante estes libertadores
e em português me ergo desavergonhadamente

(bateira a arribar da faina; torreira; 2015)

quando o que não é quer ser


por mero acaso encontrei hoje esta publicação na net

abram para ver

deixei este comentário :

meu caro

tenha pelo menos o cuidado de verificar a origem das fotos e ficar a saber que nenhuma delas é da nazaré, mas da torreira e da praia de mira.

quanto à autoria das fotos, que são minhas, onde em letra de ver a cita?

se esta é a sua nazaré você nunca foi lá

ria radical (4)


o poeta benzia-se
e não acreditava em deus

o poeta rezava
e não acreditava em deus

era segunda-feira
o poeta foi em peregrinação
à feira de espinho

deus estava no casino
ganhava milhões
na roleta de combustível

o poeta não se converteu
e deus não lhe vendeu
serviços de auditoria

deus não acreditava
no poeta

(ria de aveiro; bunheiro; 2013)