
viver é dizer fiz sobreviver porque não fiz eu como o poeta confesso que tenho vivido
(alua nasce na ria; torreira; 2008)
o falecido zé murta, deixou 4 filhos, uma neta e um pedido: não deixem morrer a companha.
a marlene sempre foi uma rapariga de trabalho e a responsável, desde que a conheço há muitos anos, pela contabilidade da companha, além de trabalhar no alar das redes, no conduzir dos tractores.
a sobrinha, bruna, de 3 anos, já segue as pisadas da tia. o ano passado já andava com as mãozitas nas cordas e este ano já a vi escolher peixe e separá-lo para as caixas certas.
apanhei-a, neste instantâneo, a imitar a tia no fazer das contas, cadernito na mão.
descansa zé, a companha continua.
(murtosa – torreira – companha do murta)
quem visita a praia da torreira não passa sem as ver.
são as vascas, as peixeiras mais antigas da torreira, com posto de venda junto ao passeio da praia e em frente à casita onde moram, com porta para o parque de estacionamento.
eram três irmãs: aurora, irene e ermelinda.
a ermelinda já faleceu.
a aurora tem os olhos mais lindos da torreira.

(torreira; 2009)
hoje não te escrevo deixo que inventes as palavras que te diria se nos déssemos por dentro do silêncio onde somos peixes e aves, flores e gazelas hoje não te escrevo somos só