era uma vez um amigo – vitor caravela


este ano, ao regressar à torreira para uns dias de descanso, muitas foram as portas onde bati e em muitas foram más as notícias que recebi: faleceu, foi a palavra mais ouvida. está mal….
assim se vão indo os amigos e vamos resistindo, que é da lei da vida continuar.
a memória porém começa a encher-se de rostos que nunca mais.
o vitor morreu dia 6 de junho, hoje foi a enterrar o secundino e outros mais …
assim todos os anos há mais espaço para os que partiram. só que este ano foi muita gente.
saudades de todos e continuar a recordá-los: o estar vivo aqui
(murtosa – torreira)

do além tejo


o verão. o sol a pino. os sobreiros: muitos.

a terra amarela: tanta. um homem só: o chapéu,

o colete. mais solitário ainda: o burro. o pó

cega a garganta. caminhos de areia percorro.

no plano o vento morre cansado: tão longe.

o monte. cães lentos ladram, não mordem.

as casas brancas, sempre. o friso azul debroa.

o vermelho: bandeira. o horizonte a perder.

a serra. a vida arrasta-se: tanto calor. o gado

pasta erva rala, mato seco. rasteiros pinheiros

tortos morrem: o sal. sobre o mar as dunas, os

calhaus. a areia: muita. a gente: pouca. assim

o malhão.

assim o alentejo!

nesta imensidão árida só teu rosto me humedece

os lábios.