fotografia
este ano, ao regressar à torreira para uns dias de descanso, muitas foram as portas onde bati e em muitas foram más as notícias que recebi: faleceu, foi a palavra mais ouvida. está mal….
assim se vão indo os amigos e vamos resistindo, que é da lei da vida continuar.
a memória porém começa a encher-se de rostos que nunca mais.
o vitor morreu dia 6 de junho, hoje foi a enterrar o secundino e outros mais …
assim todos os anos há mais espaço para os que partiram. só que este ano foi muita gente.
saudades de todos e continuar a recordá-los: o estar vivo aqui
(murtosa – torreira)
meditação para o meu amor longe
salgado rosto
do além tejo
o verão. o sol a pino. os sobreiros: muitos.
a terra amarela: tanta. um homem só: o chapéu,
o colete. mais solitário ainda: o burro. o pó
cega a garganta. caminhos de areia percorro.
no plano o vento morre cansado: tão longe.
o monte. cães lentos ladram, não mordem.
as casas brancas, sempre. o friso azul debroa.
o vermelho: bandeira. o horizonte a perder.
a serra. a vida arrasta-se: tanto calor. o gado
pasta erva rala, mato seco. rasteiros pinheiros
tortos morrem: o sal. sobre o mar as dunas, os
calhaus. a areia: muita. a gente: pouca. assim
o malhão.
assim o alentejo!
nesta imensidão árida só teu rosto me humedece
os lábios.




