pedem-me palavras
as mãos
é sempre de norte o vento
que leva o tempo
gasta corpos redes barcos
pedem-me palavras
as mãos
e eu com as minhas vazias
reinvento a memória dos dias
(xávega; reparar redes; torreira; 2007)
vazias mãos de tanto terem dado sou o que resta migalhas de mim por aí espalhadas e eu eu nada ao dar dei-me e fiquei assim vazio de mim a olhar o horizonte o sonho perdido no mar a gaivota a passear a areia o desespero não regresso fui-me e não voltei resta o casco carcomido encalhado não cansado
(reparar redes; torreira; 2011)