perdem-se os anos
recuperam-se os dias
de novo ligeiros
os pés correm por sobre
a areia
um brilho incendeia os olhos
e voa em direcção ao sol
poisado no mar de areia
as gaivotas
são ainda o desafio
(torreira)
quanto vale um americano?
20 chilenos?
100 árabes?
1000 africanos?
quantos vidas
vale um dólar?
“in god we trust”
pobre deus se existes
para onde te levaram
nada mais que uma moeda
de troca por sangue
com cheiro a fruta, a petróleo
há palavras
que são perigosas
a verdade quando escrita
ainda é mais perigosa
há palavras
que são a carne de um sonho
o esqueleto de uma utopia
a coluna vertebral de uma sociedade
escrevem-nas diariamente com sangue
os povos deste mundo
nas paredes da terra
para que, se outros mundos houver,
se saiba do que aqui se passa
porque compramos
o que os media
nos vendem
porque há quem só
compre o que os media
vendem
porque ainda há memória
não são só as torres gémeas
que hoje deveriam ser lembradas
mas também, e mais do que elas,
o golpe levado a cabo neste dia
por augusto pinochet
ao colo da cia
e da escola neo liberal de chicago
os “chicago boys”
porque a história
não pode ser reescrita em inglês
sempre
porque o sangue é o mesmo em todos
os seres humanos
porque hoje esquecem-se muitos
para lembrar uns poucos
eu quero aqui lembrar todos
os que morreram assassinados
torturados sinistramente
pelas mãos mais “limpas” deste mundo
pela verdade na história
pela história da verdade
(torreira; 2010)
responde pelo nome de necas, é o cão do alberto trabalhito (trovão).
cão de pesca, cão de pescador, acompanha o dono em todas as suas saídas para ganhar na ria o pão, nem sempre o melhor.
é um animal compenetrado nas suas funções e segue com atenção, quase como se fiscalizando e controlando, todas as acções dos donos.
neste registo íamos largar redes solheiras.
o henrique “orelhas” – terá apelido de família certamente, mas é pela alcunha que toda a gente o conhece – prepara o ramo de rosas que irá colocar aos pés da senhora de fátima que encima a bica.
é esta a gente que nos faz sentir gente também e lastimar aqueles que “lá do seu império” os não acarinham e compreendem.
fica neste registo a minha singela homenagem a todos os pescadores da torreira que me recebem no seu meio como amigo e “da casa”.
(ria de aveiro; torreira; marina dos pescadores)
(torreira; marina dos pescadores; 2010)
pelo s. paio, na torreira, realizam-se as únicas regatas de bateiras à vela da ria de aveiro, este ano vão decorrer no dia 3 de setembro, sábado, pelas 16h, dependendo da maré.
(ria de aveiro; canal de ovar; torreira)