a fala da terra


o insuportável peso da palha

o insuportável peso da palha

estão no início e no fim

que à terra volta o que da terra veio

com ela se confundem desde sempre

são o seu rosto o seu corpo vivo

 

o tempo rasgou-lhes na face

os sulcos onde semeou ternura

e amor

pelas coisas simples

água terra fogo

 

amam tudo

que natural é assim ser

o milho os animais o chão

amam-se

 

entre luz e sombra

repartem o dia

porém

tudo iluminam

quando sorriem

 

são ainda a fala da terra

 

(condeixa; eira pedrinha)