abril 41 anos depois


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floriram cravos nas pontas
das espingardas
eram vermelhos como o sangue
que não correu
em abril a 25 no ano de 74

de paz se queriam os dias a vir
livres e solares
escritos com a mesma letra
d de dar

saltaram cravos para as lapelas
nos dias de festa e foram muitos
disfarce também para filhos da mãe
os mesmos que sem eles agora

hoje só com a bandeira na bando do casaco
libertos de disfarce incómodo na festa
foram donos e senhores efémeros

estariam ali fosse ela nacional ou
da república em democracia eleita
guardadas estavam as cadeiras
o tempo era a única oposição conhecida

em verdade te digo que mentem

o cravo é vermelho

o cravo é vermelho

(coimbra; 25 de abril; 2015)