no país das maravilhas


a estória é aqui e estava maré vazia

a estória é aqui e estava maré vazia

era uma vez um concelho, com uma comunidade piscatória distribuída por vária freguesias.

com o apoio de fundos comunitários, fizeram-se obras de remodelação e modernização dos vários portos de abrigo.

não se sabe porque carga de água, o porto com maior número de pescadores foi o último a ser remodelado/renovado. talvez até tivesse sido bom, porque as asneiras cometidas nas remodelações anteriores poderiam servir de emenda. poderiam, digo eu. é deste a estória que vos queria contar.

de há alguns dias para cá, comecei a ouvir conversas de pescadores em que só ouvia dizer mal da obra – pobres e mal agradecidos, dirá quem aqui chegar pela primeira vez -, que não dava para o número de barcos existentes, que não tinha espaço para os barcos manobrarem, que as atracações não eram de dimensão suficiente, que não passaria um ano sem que voltasse a ficar tudo assoreado, …… enfim, só miséria, para tantos milhões gastos.

tanto ouvi que comecei a fazer perguntas, mas só de uma me interessava saber a resposta:

pergunta: alguém pediu a vossa opinião quando foi feito o projecto?

resposta: não

para quem, como eu, geriu fundos comunitários, sabe que o projecto é a fase mais importante de qualquer investimento que queira deles beneficiar, como foi o caso. projecto mal feito é uma coisa inadmissível pelos gestores dos fundos, até porque é financiado por eles.

do projecto nasce um caderno de encargos, que se põe a concurso, é adjudicado e contratado. tudo o que fuja ao caderno de encargos perde o financiamento. um projecto mal feito ou é suspenso a tempo, ou depois de contratada a obra, só resta cumpri-lo.

regra de ouro: qualquer alteração ao caderno de encargos tem de ser assumida pelo “dono de obra”.

se quer mudar o que pôs a concurso, paga e pronto. os fundos não financiam asneiras, daí a importância do projecto feito à medida da sua localização e das necessidades dos utilizadores finais.

percebem agora o porquê da minha pergunta e como fiquei admirado com a resposta.

só tenho uma dúvida, trata-se de ignorância ou incompetência, ou das duas?

seja qual for a resposta, a verdade é que talvez se tenham “estragado” uns, poucos, milhões de euros.

gostava que esta estória tivesse um final feliz. gostava sinceramente e espero que tenha, mas é um final que, para já, me parece que pode sair caro. gostava de estar enganado.

a sério que gostava que isto fosse só uma estória, que não tivesse nada a ver com a realidade, ou que eu me tivesse enganado redondamente.

até lá, vou fazendo umas fotos

ao vivo e a cores talvez seja melhor

ao vivo e a cores talvez seja melhor

(algures no país das maravilhas)

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One thought on “no país das maravilhas

  1. Pingback: no país das maravilhas (cont) | ahcravo's Blog

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