biografia do língua, em coimbra


no âmbito das comemorações dos 725 anos da universidade de coimbra, decorreu no convento de s. francisco o congresso internacional “língua portuguesa: uma língua de futuro”.

no dia 4 de dezembro, logo após o encerramento do congresso, o ministro da cultura de cabo verde, mário lúcio de sousa, escritor/músico/poeta/criador, apresentou o seu último romance “biografia do língua”, vencedor do prémio literário miguel torga, cidade de coimbra. 2015.

do registo que fiz da apresentação, reproduzo somente a intervenção da editora, maria do rosário pedreira, e do autor que, no meu critério, me pareceram as mais significantes.

um amigo para os amigos


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o meu amigo do mar, para os meus amigos da terra

ontem em coimbra

tarde de sol aberto, temperatura amena, sábado, dezembro.

ontem em coimbra

o adelino castro e a carla, da lápis de memórias, abriram as portas a um amigo, para a apresentação de um livro de que não eram editores, deram o que tinham. num sábado à tarde, de sol aberto, em dezembro, com a  temperatura amena

ontem em coimbra

o diamantino e a ção vieram de aveiro, o diamantino fez a apresentação do livro, com uma palestra caminhando pelos trilhos do livro e do autor. num sábado à tarde, em dezembro, pleno de sol e temperatura amena.

ontem em coimbra

a teresa namorado, veio da figueira, o manuel marques embora achacado, veio e despediu-se que em casa era preciso, a mariana alface, o fernando (com o beijo da lena também), o antónio vilhena,  a isabel faria, a conceição ruivo; estiveram numa cave, com luz artificial, num dia pleno de sol, num sábado de dezembro, à tarde.

ontem em coimbra

foi bom saber que amigos tenho que trocaram o sol de dezembro, num sábado à tarde para estarem comigo na apresentação de “sou tudo o que aqui encontras”. foi bom encontrá-los porque eu também sou eles.

obrigado por serem

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o meu amigo agostinho trabalhito, pescador da torreira e de portugal

os moliceiros têm vela (167)


continuar

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“andar à vara”

o que resta de mim
é o haver ainda
uma flor por nascer
outras que pouco vejo
mas sinto minhas

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

agarro-me às raízes
enterradas fundo no mar
ao moliço da ria antiga
vara espetada no lodo dos dias
empurrando um casco velho

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

reinvento-me para continuar

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tanta arte quanto à vela

(torreira; regata do s. paio; 2010)

postais da ria (118)


digo

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a limpidez das palavras
o serem assim
todas para todos

não quero explicar a luz
o princípio do mundo
sequer o porque estou vivo
não é esse o meu intento

dou-te um copo de água
sem corantes nem conservantes
para que mates a sede
sem preocupações de dicionário

o mais são outras navegações

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(torreira; regata da bateiras à vela; s. paio; 2014)

os moliceiros têm vela (166)


conversar

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viver é navegar à vela dos dias

somam-se na memória os nomes
guardam-se os rostos
ressoam os sons das vozes dos sorrisos

todos os dias
o tempo varre do sol
os que a mais
no seu critério intemporal

sem saberem que já não
suspeitando alguns o quando
muitos me vão deixando
e é imenso o peso da ausência

escrevo para os lembrar
conversar ainda

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há dias assim, cheios de tudo

(torreira; regata da ria; 2011)