postais da ria (132)


márcia evaristo (arrais da ria)

ahcravo_DSC_4783_márcia evaristo bw
tem carta de arrais e é camarada do tio quim nas artes da ria.

neste registo está a safar as redes, enquanto no rosto exibe ainda a maquilhagem que os chocos deixam nos rostos de quem os apanha.

são assim as pescadoras da ria

ahcravo_DSC_4783_márcia evaristo

(ria de aveiro; torreira; 2011)

crónicas da xávega (129)


o meu amigo luciano

ahcravo_DSC_5054 marco 09 s bw

um dos momentos mais arriscados para os pescadores de terra, é o prender dos ganchos nos arganéis do barco, no momento de arribar.

ou quando já com o barco no mar é preciso trazê-lo de novo para terra e esperar por nova oportunidade.

neste registo qualquer uma dessas situações pode estar a acontecer, se o arrais tiver decidido arribar de popa.

tractores, arrais, pescadores de terra e mar, têm de ter em atenção não só as ondas, como a possibilidade de um movimento lateral do barco lhes esmagar as pernas.

o luciano, não grita por medo, grita para orientar o tractor, provavelmente para lhe dizer que está preso o gancho porque é responsável e que puxe o barco para a praia.

 

ahcravo_DSC_5054 marco 09 s

(torreira; companha  do marco; 2009).

fernandito meireles, outubro, 2014


DSC_7105_fernandito meireles

concerto incluído na semana internacional de guitarra, organizada pela orquestra clássica do centro, no pavilhão de portugal, em coimbra

no dia 19 de outubro de 2014

“Exposição / apresentação de instrumentos do construtor Fernando Meireles

Concerto com Fernando Meireles & friends

Percussão – Estela Lopes; guitarra–Amadeu Magalhães; Fernandito Meireles – violino

Fernando Meireles – sanfona e bandolim

Fernando Meireles, músico, investigador e artesão, o mais afamado construtor de guitarras portuguesas e o único que se aventurou na arte de recriar um instrumento medieval, a sanfona.

“De todas as tarefas que desempenho a que me dá mais prazer é construir instrumentos. Comecei a fazê-los porque os tocava, mas agora toco-os por os fazer. Se não os tocasse e investigasse, nunca teria atingido o nível que atingi.” Nomes como Júlio Pereira, Pedro Caldeira Cabral ou Amadeu Magalhães não abdicam de tocar com peças que possuem a marca de fabrico artesanal deste jovem de idade incerta que nasceu em Penafiel e vive em Coimbra, onde tem um ateliê no edifício da Associação Académica.

Neste concerto são interpretadas Músicas das tradições europeias com destaque para a Música Tradicional Portuguesa”

 

postais da ria (131)


não merecem

ahcravo_DSC_3480 bw

a alar a solheira

fizeram-se homens
ainda crianças
na escola dos barcos

fazem de cabeça
as contas
das malhas das redes

nunca têm nos bolsos
quanto baste
para poderem dizer

vou de férias

partem para longe
vão de viagem
em busca do pão
que a ria nega
o comprador não dá

sei deles o suficiente
para vos dizer

não merecem

ahcravo_DSC_3480

não ser de oiro a pescaria

(torreira)

crónicas da xávega (128)


são pescadores

SONY DSC

o chegar do saco

há quem deixe nome
obra e fama
herança quanto baste

há quem nada deixe
porque nada foi
no tanto de ter sido

oferecem o corpo
ao mar
vestem-se de vento
e areia

perdem-se à noite
por onde mais
ninguém senão eles

são ninguém
são gente
são pescadores

SONY DSC

há os que partiram, os que resistem e os que já não voltam

(torreira; companha do marco; 2009)

“poemas do conta-gotas” em coimbra


ahcravo_DSC_5758_ana biscaia

ana biscaia desenha

PASSEIO

Oh como gostam os cães
de passear na rua os donos
quando estes envelhecem

(joão pedro mésseder)

in

“POEMAS DO CONTA-GOTAS”
Edições Xerefé
2015

Poemas de João Pedro Mésseder
Ilustração de Ana Biscaia
Design: Paul Hardman
Impressão: Tipografia Damasceno, Coimbra)

o filme da apresentação

 

 

os moliceiros têm vela (180)


faz falta um canil na terra

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

quando todos ajudam

não me peçam
palavras doces
calma silêncio

não sei quantos
sou comigo
sinto que muitos

deixam-me falar
para me matarem
pela calada

esquecem-se
de que não é a mim
que matam

é à memória de um povo
que dizem seu
a que pertencem e os escolheu

faz falta um canil na terra

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

os HOMENS da terra são desta fibra

(murtosa; regata do bico; 2007)

postais da ria (130)


o meu amigo carlos padeiro

SONY DSC

começa-se cedo aqui

aulas acabadas
abertas portas e janelas
a ria de novo

aqui onde
de água o chão
e infinito o tecto
os tempos são
de marés e sol

os olhos prendem-se
nas redes
onde peixe mais tarde

não é este o lugar
da palavra
por isso do carlos

escuto o silêncio

SONY DSC

férias da escola é na ria

(torrreira; porto de abrigo; 2010)