os moliceiros têm vela (559)


o meu reino não é 
deste mundo
dizem que disseste

abro parêntesis
gosto muito de ler
vivo tudo o que leio
fecho parêntesis

olha meu caro
embora não tenha reino
e seja apenas aposentado
também não sou deste mundo

expulsaste os vendilhões
do templo dizem
melhor fora não que agora
não há templo que lhes baste

as águas por onde dizem
que andaste agora são
de sangue e não há peixes
pequenos só tubarões

abro parêntesis
não voltes outra vez
deixa-te estar sossegado
em belém só pastéis
fecho parêntesis

a realidade não é
um romance
é uma tragédia

(ria de aveiro; regata da ria; 2013)