postais da ria (19)


regata de moliceiros, bico, 2010

regata de moliceiros, bico, 2010

 

regata de moliceiros no bico_ 03/08/2014

 
no próximo dia 3 de agosto, pelas 14h30m, vai decorrer a tradicional regata de moliceiros no bico, murtosa, integrada nas festas da semana do emigrante.

de acordo com o programa elaborado pela câmara municipal e apresentado na página

http://www.cm-murtosa.pt/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=7222&divName=876&id_class=876

para quem gosta de fotografar a partir de terra, esta é a regata ideal. o percurso da regata é no sentido nascente/poente e inverso. pelo quem ficar no extremo do cais pode fotografar à vontade.

interessantes de registar são os cambanços dos barcos, que ocorrem em frente ao cais do chegado, que dista escassas centenas de metros do ponto central.

a chegada dos barcos e a sua preparação para a regata também podem proporcionar registos únicos, pelo que estar no local a meio da manhã será de ponderar.

quanto à relevância que a “pátria do moliceiro” dá à regata, a apresentação do cartaz diz tudo.

 

 

(ria de aveiro; murtosa; bico; 2010)

a memória do alfredo no seu aniversário


rolos de corda do reçoeiro

rolos de corda do reçoeiro

 

18 de julho de 2014

 
o alfredo faz anos. a história contada pelo próprio:

” faz hoje 26 anos, a minha mãe estava a trabalhar no mar e deu um bom lanço de lingueirão.

depois nasci eu. ainda me lembro”

é por se lembrar tão bem de tudo,  que todas as manhãs, quando a companha do marco vai ao mar, recebo por volta das 6h uma mensagem do alfredo:

“tamos no mar”

e aí vou eu.

a função do alfredo na companha, é o alar do reçoeiro, onde faz grupo com o fernando e o ti américo.

são muitos metros de corda, não são alfredo?

abraço

 

(torreira; companha do marco; 2014)

crónicas da xávega, torreira (18)


 

o maria de fátima vence o mar

o maria de fátima vence o mar

 

esta foto é para si marco

 
há telefonemas que dizem tudo.
na segunda-feira tinha de ir para coimbra, soube a hora para que o marco dera ordens, atrasei o almoço e fui à praia ver o largar – este.

depois de o barco vencer a pancada de mar, o meu telemóvel toca.

– esta foto é para si, sr. cravo

era o marco.

há amigos assim.

 

(torreira; companha do marco; jul, 2014)

crónicas da xávega, torreira (17)


 

caminhos de areia

caminhos de areia

porque amavam o mar

 

há poucos dias
30 de junho para ser preciso
o poeta joaquim namorado
faria cem anos se vivo
hoje passam dez anos
sobre a morte de sophia

os poetas
os grandes poetas
vão crescendo na memória

o pulsar a vida
em cada verso
o sentir de um povo
em cada poema
serem de carne e sangue
as palavras
o seu legado

estar aqui ainda
é serem eles em nós

a voz necessária

 

(torreira; companha do marco; jun, 2014)

regata da ria 2014 (3)


 

 

o "a. rendeiro" ultrapassa o "dos netos"

o “a. rendeiro” ultrapassa o “dos netos”

 

“NÃO MATEM OS MOLICEIROS”

 

já perto de s. jacinto, o moliceiro do ti zé rebeço, ultrapassa o do ti abílio carteirista.

desde o protesto de 2012, por não ter havido regata, que o ti abílio mantém a tarja “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”, no seu barco.

há mensagens que é preciso manter vivas e esta é muito forte, actual e necessária.

lembrem-se dela os que hoje se limitam a fotografar ou a descrever as regatas.

os moliceiros são homens e barcos, são seres vivos que precisam não só de olhos, mas de braços e mãos, de vozes e sentires, que se unam na sua defesa e preservação.

seja cada um de nós um moliceiro a dizer: assim não! queremos mais e melhor das entidades que mandam directamente nesta região, que são responsáveis pela cultura deste povo.

o ti abílio acabaria a regata em segundo lugar, aos 78 anos de idade, registem bem: aos 78 anos de idade.

será que não merece o nosso respeito esta geração que começou a vida “ao moliço”, na ria e que até ao fim da vida continua a fundir-se com o seu barco?

o ti abílio, fez a sua vida na alemanha, lá deixou a descendência, mas é na ria, a bordo de um moliceiro que se sente vivo.

até quando?

 

(ria de aveiro; 28, jun, 2014)

crónicas da xávega, torreira (16)


 

 

escolha do peixe

escolha do peixe

 
fossem de trabalho as mãos

 
entram e saem
compram vendem
vendem-nos
ganham muito sempre
astronómicas somas
pequeno o défice para tanto
para tão poucos

hoje eu
amanhã tu
sempre a famílias
os amigos
compadres
comparsas
comendo na mesa farta
revezam-se

fossem de trabalho os dias
seriam menos os que
de poleiro cantariam
de saber
que o que gastam e malbaratam
teriam de pagar

haja dinheiro basto
que advogados e padrinhos
não faltarão

a banca de novo

 
(torreira; companha do marco; jun, 2014)

regata da ria 2014 (2)


 

 

manuel augusto (necas lameirão)

manuel augusto (necas lameirão)

pinturas dos painéis

 

característica muito própria dos moliceiros, são as pinturas feitas nos painéis da ré e da proa.

como já escrevi antes um dos objectivos das regatas da ria é, não só, a manutenção dos moliceiros mas, fundamentalmente, a renovação das pinturas.

habitualmente quase todos os moliceiros, vêem as pinturas renovadas por altura das regatas.

para isso os prémios de presença, eram divididos em duas fatias:

– participação
– pintura

este ano, para além da desorganização, havia somente prémio de participação que, embora tenha tido um  valor praticamente igual ao valor global anteriormente atribuído, não premiava especificamente a pintura.

os painéis só eram valorados em termos de concurso final.

desorganização e estrutura do apoio levaram a que só dois moliceiros da classe A (mais de 13 metros) tenham sido pintados a tempo:

– A. Rendeiro
– Zé Rito

o moliceiro “Dos Netos” ficou com as pinturas por concluir

neste registo o pai do pintor Zé Oliveira, Manuel Augusto (Necas Lameirão) pinta um dos painéis da proa do moliceiro “Zé Rito”

 

(ria de aveiro; torreira; estaleiro do mestre Zé Rito)

crónicas da xávega, torreira (15)


o carregar do saco na zorra

o carregar do saco na zorra

 

meditação à beira mar
há os que lutam pelo futuro
os que vivem o presente
e os que choram o passado

há ainda
os que se fazem presente do presente
para ganharem no futuro
um lugar no passado

pode parecer apenas um jogo de
palavras
uma brincadeira em torno da gramática
mas é um retrato de muito boa gente
são tantos
tão pretensamente felizes consigo mesmos
tão tão eus

esquecem-se de uma coisa simples
é que podem
também eles
ser esquecidos

o espelho é de cristal fino

 

– o carregar do saco na zorra, é tarefa de peso –

 

(torreira; companha do marco; jun, 2014)

regata da ria 2014 (1)


 

 

 

o  oliceiro zé rito com o mastro partido

o oliceiro zé rito com o mastro partido

 

porque nem tudo foi fácil, porque o moliceiro do mestre zé rito quebrou o mastro ao cambar, para entrar no canal de aveiro, é a ele que dedico este registo.

apesar de estar nas condições que se podem ver, a vantagem que levava em relação aos mais afastados da linha da frente era tal, que ainda chegou em quarto lugar.

a classificação final foi a seguinte:

 

Classe  A

 

1º – A. Rendeiro ( Zé Rendeiro – Rebeço )

2º – Dos Netos ( Abílio Fonseca – Carteirista)

3º – Manuel Silva (Manuel Vieira – Valas)

4º – Zé Rito ( Zé Rito)

5º – Câmara da Murtosa

6º – O Amador (Felisberto Amador – Caçoila)

7º O Marnoto (Domingos Marnoto)

8º Manuel Vieira (Manuel Vieira – Valas)

 

Classe B

 

1º Pequenito (Manuel Valente – Vareiro)

2º Cristina e Sara (Ti Virgílio)

 

(ria de aveiro; 28, jun, 2014)