(torreira, 21 de setembro, de 2013)
o esgar vincado
na beleza deste rosto
fala de uma outra ria
da do sangue
que corre sobre as águas
e mergulha fundo
em busca do pão
o pão enterrado na lama
o pão que poucos amassam
que é dura
muita dura a faina
sempre que vires o nascer do sol
uma névoa a cobrir tudo
e tudo te surja carregado de beleza
postálica vendável em quiosques
popularizada em páginas de fotografia
lembra-te
lembra-te deste rosto
que não viste
porque ficaste na margem
(ria de aveiro; canal de ovar; torreira)
neste registo vê-se em primeiro plano a “equipa” de alagem do reçoeiro e em segundo plano a “equipa” de alagem da mão de barca.
como a corrente dominante na costa ocidental é no sentido norte/sul e os lanços são feitos em sentido contrário à corrente (normalmente), ou seja em direcção ao norte, o reçoeiro fica sempre a norte e a mão de barca a sul.
a perspectiva é, assim, no sentido norte/sul
(torreira; companha do marco; 2010)