porque ficaste na margem


joão manuel dias

joão manuel dias

o esgar vincado

na beleza deste rosto

fala de uma outra ria

da do sangue

que corre sobre as águas

e mergulha fundo

em busca do pão

 

o pão enterrado na lama

o pão que poucos amassam

que é dura

muita dura a faina

 

sempre que vires o nascer do sol

uma névoa a cobrir tudo

e tudo te surja carregado de beleza

postálica vendável em quiosques

popularizada em páginas de fotografia

lembra-te

 

lembra-te deste rosto

que não viste

porque ficaste na margem

(ria de aveiro; canal de ovar; torreira)

o alar das duas mangas (reçoeiro e mão de barca)


 

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neste registo vê-se em primeiro plano a “equipa” de alagem do reçoeiro e em segundo plano a “equipa” de alagem da mão de barca.

como a corrente dominante na costa ocidental é no sentido norte/sul e os lanços são feitos em sentido contrário à corrente (normalmente), ou seja em direcção ao norte, o reçoeiro fica sempre a norte e a mão de barca a sul.

a perspectiva é, assim, no sentido norte/sul

 

(torreira; companha do marco; 2010)