fotografias
iluminar o sonho
apetece-me nascer rio
abrir leitos rasgar margens
destruir a
desilusão deste ser aqui
ainda assim
apetece-me nascer rio
levar na corrente pedras rochas calhaus
desnudar raízes
arrancar árvores velhas podres de poderes
asmáticos
apetece-me nascer rio
limpar terras de vermes cobertas
rastejantes seres erectos
escamosas barrigudas mentes
pesporrenta gente
sabuja
hoje
apetece-me nascer rio
há dias em que só a água
ilumina o sonho
xávega_ o aparelhar das calas
o saco que voou
fracturações
recordo
sentado no banco
da memória
recordo
o brilho nos olhos
as caravelas velas pandas
das navegações sem retorno imaginado
o aroma das anémonas
sem terra à vista
a música a desprender-se
das coisas
sem pauta nem maestro nem instrumentos
a música de dentro
em clave de sol e sonho
braços por dentro de braços
e mais braços ainda
abraços tantos a abraçar
recordo
(ria de aveiro; canal de ovar; torreira; marina dos pescadores)
xávega_o aparelhar
neste registo as calas começam a ser carregadas na proa do barco, enquanto o ti alfredo fareja (falecido), vai dispondo as redes de forma a serem correctamente carregadas.
encostada à borda do barco a actual viúva do arrais zé murta, maria murta
(torreira; companha do murta, 2007)
é urgente
ando por aí
no inventar de caminhos
encontros e desencontros
fabricando sonhos
nas noites diurnas
a acender fogos
no seio das rochas mais frias
para que nasçam rios cheios
de olhos abertos
a plantar árvores
em cima do mar
ver crescerem barcos
onde mais que homens são
os que lá dentro vão
na minha rede só letras
plantadas nos regos abertos pela enxada
desta cabeça imparável
acender lume nas pedras
abrir olhos nos rios
é urgente
(torreira; companha do marco; 2011)









