os dias vão lentos
carregados de outono
nas dobras das horas
tremem encolhem-se
aos primeiros frios
ser aqui
é esperar por outro verão
atravessar o tempo
embrulhado em sonhos
cobertura por vezes pouca
para peso tanto
ser aqui
é resistir
porque sim
há dias assim
sem palavras
sem assunto
dias de deixar tudo ir ver o mar
e não querer escrever nem pensar
há dias assim
em que o silêncio é enorme
engole tudo e
as palavras?
onde estão as palavras?
sequer fica uma página em branco
nem a desculpa gasta de não haver material
o material está aqui desmaterializado
na não escrita desta escrevedura
há dias assim
que queres
hoje não escrevo
ponto final
ao rés da água
a beleza sorri líquida
os homens são ainda
a continuação de
o regresso ao ter sido
velas erguidas desafiam o vento
e a sabedoria de quem
de todos os cantos do concelho
onde bateiras ainda
a festa renova-se no bolinar
desafiante
a ria sorri de plena
mãe renovada
de filhos sempre moços
para ler com o filme de Jorge Bacelar
com pauta e partitura
escritas a preceito
e a pedido
o maestro mais não é
que marionete
do emprego futuro
herança de ter sido
a orquestra
sabe o que quer
disso está certa
tanto quanto mentir
para não o dizer
interesses de poucos
que muitos enganar querem
músicos …….
sei-os
o suficiente para não
saber de medo
e interpretar pauta diversa
saberás tu?