cândida


cândida
ao longe a esperança começa
a nascer
o barco lançou o saco
inicia o regresso

trará a rede peixe ?

do mar o incerto pão
nem sempre mata a fome
paga o esforço o suor as gargantas secas
de tanto gritar

não somos dos que desistem
enquanto houver sol e o mar permita
o barco partirá
sempre
em busca do peixe
do pão que o mar dá

(torreira; séc XX)

o meu poema


esplanada onda do mar_buarcos

um dia
o meu poema vai levantar voo
das folhas brancas

um dia
o meu poema ave vai encontrar-te
na planície da ausência presente
e pousar suavemente
nos teus olhos sequiosos de luz

um dia
o meu poema barco
partirá para os mares de bocas
lábios gretados em busca de palavras

um dia
o meu poema
deixará de ser
meu