manuel pego


torreira; manuel pego; anos 90

aqui todos ajudam
a faina é dura
os amigos muitos

não há tempo para mudas
o mar chama urgente
o barco já largou
é preciso começar a lide
em terra

aqui todos somos um
os braços juntam-se no puxar das cordas
no empurrar dos barcos
aconchegar das redes

irmãos somos
da terra viemos
para aqui sermos todos um

torreira; manuel pego; anos 90

aurora proa


 

aurora proa

 

sou mulher que baste
neste mar de homens
rainha dos ventos e das areias
senhora de muitos saberes
e sofreres

sou mulher que baste
para dizer o que sinto
gritar com a canalha
homens e mulheres
que vêem não o trabalho mas a festa
de estarem de férias
terem espectáculo grátis

arrancam das redes
o peixe miúdo
a sardinha que salta
o jaquinzinho que morre sufocado

deixai o peixe a quem por ele lutou

manuel vieira água a lua


manuel vieira água a lua

                                                      manuel vieira água a lua

 

é de mar que falo

quando digo

 

o sal queima

 

e deixa em mim este sabor amargo

de ser salgada também a água

que me corre nas veias

 

 

quando à noite na tasca

as espadas são trunfo

e o copo de tinto

o ás sobre a mesa

é ainda o mar que dita a sorte

 

despeço-me do óscar miguel


(despeço-me do óscar miguel)

óscar miguel

 

era assim

qual gaivota prestes a levantar voo

 

preparadas as cordas

as redes a caminho

que

de asas abertas o óscar

iniciava os seus voos

 

era este o seu mar

o leito por onde corria

o sangue de ser barco

 

a xávega

perdeu um filho

o mar um amigo

e todos ficámos mais pobres

 

o óscar miguel

era barco

mas é com um abraço

que lhe digo

até às ondas irmão