perguntas improváveis (2)
as maçãs do rosto
estão verdes?
a menina dos olhos
dança
a planta dos pés
é aromática?
(torreira; regata do s. paio; 2014)
(para uma menina grande
que nunca será daqui)
preciso de falar de ti
olho e vejo e não vejo
o que vêem os teus olhos
vejo-te e uma lágrima
braços e mãos em movimento
permanente e aleatório
os sons guturais que emites
palavras de uma língua só tua
olhos como se todo o corpo eles
que vês quando olhas?
porque sorris?
que mundo é o teu?
olhas-me olho-te
tenho a certeza do desencontro
(torreira; regata s.paio; 2010)
vai-se o tempo fica o tempo
tudo tem o seu tempo
nem sempre porém há tempo que baste
no tempo que temos
se sou tudo o que fiz
o que não farei é um eu ausentado dos dias
um já não estar onde
despeço-me de mim não fazendo
amputações fragmentadas
desta coisa corpo gasta pelo tempo
isto queria dizer-te por ser o que sinto
por ser o tempo em nós
sonho de continuar a ser no sobreviver
virá o tempo sem tempo sem mim
(ria de aveiro; murtosa; bico)